quarta-feira, 25 de maio de 2011

Número 279






Israelenses se manifestam pelo reconhecimento do Estado Palestino. Não o governo, ainda... mas metade da população concorda em que as fronteiras de 1967 devem ser o ponto de partida para o Estado Palestino. Mas se Obama ganhou pontos com essa idéia, continua a perder, como se pode ver na carta aberta que Pérez Esquivel publicou, endereçada a ele. De um Prêmio Nobel da Paz para outro. Será que Obama leu?
Estes são os dois assuntos de fundo deste número. Mas há muito mais, nos links, especialmente nos que comemoram o centenário do historiador Nelson Werneck Sodré.




Israel: um manifesto pela paz
Dezenas de personalidades defendem fronteiras de 1967 e sustentam: “reconhecer Estado palestino é vital para independência de Israel”. Manifesto assinado por figuras reconhecidas nos meios intelectual, associativo, diplomático e mesmo militar israelense revela algo às vezes oculto, nos meios de comunicação tradicionais. Uma parcela expressiva da população de Israel deseja a paz com os palestinos e está disposta a lutar por ela. Setores da comunidade israelense começam a se mobilizar, em todo o mundo, para separar-se de atitudes como a do primeiro ministro Benjamin Netanyahu. (WWW.cartamaior.com.br)
Outras Palavras


Por trás de arrogância há, muitas vezes, fraqueza. Nesta sexta-feira (20/5), o chefe de Estado israelense, Benyamin Netanyahu, descartou rispidamente uma proposta feita por seu colega norte-americano na véspera. Em discurso há muito aguardado, sobre as relações entre Estados Unidos e Oriente Médio, Barack Obama tocara num ponto-chave para esvaziar as tensões que marcam a região. Sugerira que Israel reconheça o Estado palestino e retorne às fronteiras que prevaleciam até a guerra de 1967 – as mesmas aceitas por dezenas de países. Um dia depois, ambos reuniram-se, na Casa Branca. Após o encontro, ao conceder entrevista coletiva, frente a frente com Obama, Netanyahu afirmou: estas são “fronteiras da ilusão”.

Um documento publicado no mesmo dia, no New York Times, revela: a posição expressa com soberba pelo primeiro-ministro é cada vez mais fraca no mundo — e também em Israel. Dezenas de personalidades – reconhecidas nos meios intelectual, associativo, diplomático e mesmo militar israelense – endossaram abaixo-assinado em que expressam posição muito semelhante à de Obama.

O documento revela algo às vezes oculto, nos meios de comunicação tradicionais. Uma parcela expressiva da população de Israel deseja a paz com os palestinos e está disposta a lutar por ela. Esta postura tem, ainda, pouca expressão institucional – inclusive devido às características muito peculiares do sistema político [veja 1 2 3 textos no Diplô Brasil]. Mas se manifesta num conjunto crescente de iniciativas cidadãs.

Articulado pela OnG norte-americana JStreet, o manifesto publicado no New York Times deflagra um processo que poderá se tornar marcante, nos próximos meses. Setores da comunidade israelense começam a se mobilizar, em todo o mundo, para separar-se de atitudes como a de Netanyahu, e afirmar claramente seu apoio a uma paz justa. Este movimento tem raízes também no Brasil.

Leia a seguir o manifesto, firmado, entre outros, por cerca de 40 intelectuais e escritores premiados, incluindo 27 contemplados com o Prêmio Israel; mais de vinte militares de alta patente, incluindo 18 generais da Reserva; cinco ex-embaixadores, cônsules-gerais e diretores do Ministério das Relações Internacionais; mais de 5 reitores e ex-reitores universidades. A tradução é de Cauê Ameni e o documento, com seu formato original e lista de signatários pode ser encontrado no site J Street. (A.M)

O reconhecimento do estado Palestino baseado nas fronteiras de 1967
é vital para a existência de Israel


“Nós, cidadãos israelenses, nos dirigimos ao público para apoiar o reconhecimento de um Estado palestino democrático, como condição para acabar com o conflito e chegar ao acordo sobre as fronteiras, baseadas nas de 1967. Reconhecer o estado Palestino é vital para a existência de Israel. É a única maneira de garantir a resolução do conflito através de negociações, para prevenir a erupção de outra onda de violência em massa, e isolamento internacional de Israel.

“A implantação bem-sucedida dos acordos requer duas lideranças, israelense e palestina, que se reconheçam uma a outra, optem pela paz e se comprometam inteiramente com ela. Essa é a única política que deixa o destino e a segurança israelenses em suas próprias mãos. Qualquer outra atitude política contradiz com a promessa do sionismo e do bem estar do povo judeu.

“Nós, os abaixo assinados, chamamos todas as pessoas que se preocupam com a paz e a liberdade, e chamamos todas as nações, para que se unam a nós na saudação à Declaração de Independência Palestina e apoiem os esforços dos cidadãos dos dois Estados para manter relações pacificas, fundadas em fronteiras seguras e de boa vizinhança. O fim da ocupação é condição fundamental para a libertação dos dois povos, a realização da Declaração de Independência de Israel e um futuro de convivência pacifica.”

Publicado originalmente em Outras Palavras



Carta de um Nobel da Paz a Barack Obama
Adolfo Pérez Esquivel

Estimado Barack, ao dirigir-te esta carta o faço fraternalmente para, ao mesmo tempo, expressar-te a preocupação e indignação de ver como a destruição e a morte semeada em vários países, em nome da “liberdade e da democracia”, duas palavras prostituídas e esvaziadas de conteúdo, termina justificando o assassinato e é festejada como se tratasse de um acontecimento desportivo.

Indignação pela atitude de setores da população dos Estados Unidos, de chefes de Estado europeus e de outros países que saíram a apoiar o assassinato de Bin Laden, ordenado por teu governo e tua complacência em nome de uma suposta justiça. Não procuraram detê-lo e julgá-lo pelos crimes supostamente cometidos, o que gera maior dúvida: o objetivo foi assassiná-lo.

Os mortos não falam e o medo do justiçado, que poderia dizer coisas inconvenientes para os EUA, resultou no assassinato e na tentativa de assegurar que “morto o cão, terminou a raiva”, sem levar em conta que não fazem outra coisa que incrementá-la.

Quando te outorgaram o Prêmio Nobel da Paz, do qual somos depositários, te enviei uma carta que dizia: “Barack, me surpreendeu muito que tenham te outorgado o Nobel da Paz, mas agora que o recebeu deve colocá-lo a serviço da paz entre os povos; tens toda a possibilidade de fazê-lo, de terminar as guerras e começar a reverter a situação que viveu teu país
e o mundo”.

No entanto, ao invés disso, você incrementou o ódio e traiu os princípios assumidos na campanha eleitoral frente ao teu povo, como terminar com as guerras no Afeganistão e no Iraque e fechar as prisões em Guantánamo e Abu Graib no Iraque. Não fez nada disso. Pelo contrário, decidiu começar outra guerra contra a Líbia, apoiada pela OTAN e por uma vergonhosa resolução das Nações Unidas. Esse alto organismo, apequenado e sem pensamento próprio, perdeu o rumo e está submetido às veleidades e interesses das potências
dominantes.

A base fundacional da ONU é a defesa e promoção da paz e da dignidade entre os povos. Seu preâmbulo diz: “Nós os povos do mundo...”, hoje ausentes deste alto organismo.

Quero recordar um místico e mestre que tem uma grande influência em minha vida, o monge trapense da Abadia de Getsemani, em Kentucky, Tomás Merton, que diz: “a maior necessidade de nosso tempo é limpar a enorme massa de lixo mental e emocional que entope nossas mentes e converte toda vida política e social em uma enfermidade de massas. Sem essa limpeza doméstica não podemos começar a ver. E se não vemos não podemos pensar”.

Você era muito jovem, Barack, durante a guerra do Vietnã e talvez não lembre a luta do povo norteamericano para opor-se à guerra. Os mortos, feridos e mutilados no Vietnã até o dia de hoje sofrem as consequências dessa guerra.

Tomás Merton dizia, frente a um carimbo do Correio que acabava de chegar, “The U.S. Army, key to Peace” (O Exército dos EUA, chave da paz): “Nenhum exército é chave da paz. Nenhuma nação tem a chave de nada que não seja a guerra. O poder não tem nada a ver com paz. Quanto mais os homens aumentam o poder militar, mais violam e destroem a paz”.
Acompanhei e compartilhei com os veteranos da guerra do Vietnã, em particular Brian Wilson e seus companheiros que foram vítimas dessa guerra e de todas as guerras.

A vida tem esse não sei o quê do imprevisto e surpreendente fragrância e beleza que Deus nos deu para toda a humanidade e que devemos proteger para deixar às gerações futuras uma vida mais justa e fraterna, reestabelecendo o equilíbrio com a Mãe Terra.

Se não reagirmos para mudar a situação atual de soberba suicida que está arrastando os povos a abismos profundos onde morre a esperança, será difícil sair e ver a luz; a humanidade merece um destino melhor. Você sabe que a esperança é como o lótus que cresce no barro e floresce em todo seu esplendor mostrando sua beleza.

Leopoldo Marechal, esse grande escritor argentino, dizia que: “do labirinto, se sai por cima”.

E creio, Barack, que depois de seguir tua rota errando caminhos, você se encontra em um labirinto sem poder encontrar a saída e te enterra cada vez mais na violência, na incerteza, devorado pelo poder da dominação, arrastado pelas grandes corporações, pelo complexo industrial militar, e acredita ter todo o poder e que o mundo está aos pés dos EUA porque impõem a força das armas e invade países com total impunidade. É uma realidade dolorosa,
mas também existe a resistência dos povos que não claudicam frente aos poderosos.

As atrocidades cometidas por teu país no mundo são tão grandes que dariam assunto para muita conversa. Isso é um desafio para os historiadores que
deverão investigar e saber dos comportamentos, políticas, grandezas e mesquinharias que levaram os EUA à monocultura das mentes que não permite ver outras realidades.

A Bin Laden, suposto autor ideológico do ataque às torres gêmeas, o identificam como o Satã encarnado que aterrorizava o mundo e a propaganda do teu governo o apontava como “o eixo do mal”. Isso serviu de pretexto para declarar as guerras desejadas que o complexo industrial militar necessitava para vender seus produtos de morte.

Você sabe que investigadores do trágico 11 de setembro assinalam que o atentado teve muito de “auto golpe”, como o avião contra o Pentágono e o esvaziamento prévios de escritórios das torres; atentado que deu motivo para desatar a guerra contra o Iraque e o Afeganistão, argumentando com a mentira e a soberba do poder que estão fazendo isso para salvar o povo, em nome da “liberdade e defesa da democracia”, com o cinismo de dizer que a morte de mulheres e crianças são “danos colaterais”. Vivi isso no Iraque, em Bagdá, com os bombardeios na cidade, no hospital pediátrico e no refúgio de crianças que foram vítimas desses “danos colaterais”.

A palavra é esvaziada de valores e conteúdo, razão pela qual chamas o assassinato de “morte” e que, por fim, os EUA “mataram” Bin Laden. Não trato de justificá-lo sob nenhum conceito, sou contra todas as formas de terrorismo, desde a praticada por esses grupos armados até o terrorismo de Estado que o teu país exerce em diversas partes do mundo apoiando
ditadores, impondo bases militares e intervenção armada, exercendo a violência para
manter-se pelo terror no eixo do poder mundial. Há um só eixo do mal?
Como o chamarias?

Será que é por esse motivo que o povo dos EUA vive com tanto medo de represálias daqueles que chamam de “eixo do mal”? É simplismo e hipocrisia querer justificar o injustificável.

A Paz é uma dinâmica de vida nas relações entre as pessoas e os povos; é um desafio à consciência da humanidade, seu caminho é trabalhoso, cotidiano e portador de esperança, onde os povos são construtores de sua própria vida e de sua própria história. A Paz não é dada de presente, ela se constrói e isso é o que te falta meu caro, coragem para assumir a responsabilidade histórica com teu povo e a humanidade.

Não podes viver no labirinto do medo e da dominação daqueles que governam os EUA, desconhecendo os tratados internacionais, os pactos e protocolos, de governos que assinam, mas não ratificam nada e não cumprem nenhum dos
acordos, mas pretendem falar em nome da liberdade e do direito. Como pode falar de Paz se não quer assumir nenhum compromisso, a não ser com os interesses de teu país?

Como pode falar da liberdade quanto tem na prisão pessoas inocentes em Guantánamo, nos EUA e nas prisões do Iraque, como a de Abu Graib e do Afeganistão?

Como pode falar de direitos humanos e da dignidade dos povos quando viola ambos permanentemente e bloqueia quem não compartilha tua ideologia, obrigando-o a suportar teus abusos?

Como pode enviar forças militares ao Haiti, depois do terremoto devastador, e não ajuda humanitária a esse povo sofrido?

Como pode falar de liberdade quando massacra povos no Oriente Médio e propaga guerras e tortura, em conflitos intermináveis que sangram palestinos e israelenses?

Barack, olha para cima de teu labirinto e poderá encontrar a estrela para te guiar, ainda que saiba que nunca poderá alcançá-la, como bem diz Eduardo Galeano. Busca a coerência entre o que diz e faz, essa é a única forma de não perder o rumo. É um desafio da vida.

O Nobel da Paz é um instrumento ao serviço dos povos, nunca para a vaidade pessoal.

Te desejo muita força e esperança e esperamos que tenha a coragem de corrigir o caminho e encontrar a sabedoria da Paz.

*Adolfo Pérez Esquivel, Nobel da Paz 1980.
*Buenos Aires, 5 de maio de 2011




Nelson Werneck Sodré
por CARLOS HEITOR CONY
Entre os centenários que, neste ano, estão sendo comemorados, destaco o de um dos homens que mais me impressionaram pela sua cultura e dignidade...LEIA NA ÍNTEGRA: http://espacoacademico.wordpress.com/2011/05/21/nelson-werneck-sodre/



Nelson Werneck Sodré e a questão nacional no pensamento social brasileiro. Em 20 de maio de 2011, na Universidade Estadual de Maringá (UEM), realizou-se o evento Nelson Werneck Sodré e a questão nacional no pensamento social brasileiro. Organizado pela Profª Drª Meire Mathias (DCS/UEM) e promovido pelo Departamento de Ciências Sociais e Revista Urutágua, o debate teve a participação dos professores Carlos Alberto Cordovano Vieira (Faculdade Santa Marcelina)* e Paulo Ribeiro Rodrigues da Cunha (Unesp, campus de Marília/SP)... LEIA NA ÍNTEGRA: http://antoniozai.wordpress.com/2011/05/21/nelson-werneck-sodre-e-a-questao-nacional-no-pensamento-social-brasileiro/



Líbia: Perguntas que é preciso colocar em cada guerra
Desde 1945, os Estados Unidos já bombardearam algum país vinte e sete vezes. E, a cada vez, afirmaram que estes atos de guerra eram "justos" e "humanitários". Hoje, dizem-nos que a guerra na Líbia é diferente das precedentes. O mesmo que foi dito da anterior. E da anterior. E de todas as outras vezes. Não estamos já na hora de pôr a preto e branco as perguntas que é preciso colocar em cada guerra para não deixar-se manipular? O artigo é de Michael Collon.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17825&boletim_id=914&componente_id=14822





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Bolsas de IC no Museu Paulista da Universidade de São Paulo

Seminário Nacional de História da Historiografia em Outro Preto

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Fracassa no Uruguai projeto para anular lei de anistia a militares

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Drama argentino "O Homem ao Lado" chega às telas brasileiras com metáfora sobre conflito entre vizinhos.
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Figura indissociável da conquista da América, Hernán Cortez guarda muitas ambiguidades. Representa, ao mesmo tempo, o extermínio de um império indígena vasto e populoso e a origem do povo mestiço que constitui o México.
A campanha liderada por Cortez no mundo asteca entraria para a História da cultura ocidental como um dos maiores símbolos do contato entre culturas e o consequente choque de valores de sociedades distintas. E foi a partir desse encontro que um novo mundo, aos poucos, se ergueu e outra sociedade, sincrética, nem europeia e nem indígena, começou a ser formada.
Com base em pesquisa realizada em relatos, cartas, memórias e diários de viagens da época, o autor reconstrói a extraordinária epopeia do guerreiro espanhol, cuja imagem oscila entre o símbolo máximo do conflito, da destruição provocada pelas guerras de conquista, e a representação do nascimento de um mundo novo. Hernán Cortez: civilizador ou genocida? A resposta fica a critério do leitor desta obra, que traz de volta à luz a vida do conquistador que conseguiu derrotar um dos maiores impérios que a América já teve: o asteca.
Editora Contexto, 208 p. 37 reais.





Mini-curso sobre a defesa do patrimônio cultural, dia 24 de maio, em Montes Claros
Evento da Promotoria Estadual de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais faz parte do projeto Ministério Público Itinerante
A Promotoria Estadual de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais ministrará, no dia 24 de maio, em Montes Claros, um mini-curso sobre a defesa do patrimônio cultural. O evento, que integra as atividades do projeto Ministério Público Itinerante, será realizado às 14 horas, no Auditório da Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene (Amams), na av. Major Alexandre Rodrigues, 416, Ibituruna (próximo à Faculdade Pitágoras).

A exemplo dos encontros realizados em Jequitinhonha e Januária, o objetivo do mini-curso é a capacitação dos gestores culturais da região, com enfoque na adoção de políticas municipais eficientes para a preservação do patrimônio cultural. Serão demonstradas formas de obter recursos para investir no patrimônio cultural, bem como as principais ações que os municípios devem adotar para uma correta política de preservação.

Haverá uma palestra, a cargo da Promotoria Estadual de Defesa do Patrimônio Cultural, e uma mesa redonda em que representantes de instituições convidadas explicarão seus papéis e responderão a perguntas dos participantes.

O público-alvo é integrado, principalmente, por conselheiros municipais de Defesa do Patrimônio Cultural, secretários municipais de Cultura, arquitetos, historiadores, fiscais municipais, representantes de ONG?s e demais interessados que atuem na área.

Será distribuído material para capacitação e serão emitidos certificados. As inscrições podem ser feitas pelo e-mail eaparecida@mp.mg.gov.br
ou pelo telefax (31) 3250-4619.


Casal que extorquia padre Júlio Lancellotti é condenado. Mas, e a mídia que acusou, julgou e condenou o padre na época, como fica?
Leia em: http://blogdomello.blogspot.com/2011/05/casal-que-extorquia-padre-julio.html


Por que a Abril está soltando os cachorros em cima do Haddad com o livro 'Por Uma Vida Melhor'?
Por que decisões do ministro da Educação estão tornando a vida do Grupo Abril pior. Não é de hoje que tentam derrubá-lo.
A explicação está numa reportagem do Valor Econômico de 2006 (que pode ser lida aqui), muito bem esmiuçada pelo Alceu Nader em seu desativado blog Contrapauta, em 17 de outubro de 2006. Só naquele ano a Abril deixou de faturar R$ 40 milhões a menos do que os R$ 120 milhões que faturaram dois anos antes. Uma queda de 1/3. De lá pra cá as coisas não mudaram. Por isso eles soltam os cachorros.
Leia em: http://blogdomello.blogspot.com/2011/05/por-que-abril-esta-soltando-os.html




Leia no WWW.outraspalavras.net

“Nem políticos, nem banqueiros”
Primavera jovem espanhola expande-se, toma praças em mais de 200 cidades, desafia ordem judicial e identifica com mais clareza seus adversários. Por Pep Valenzuela

Chamam-na democracia. E não é
“Quem dita as regras do jogo são formidáveis corporações econômico-financeiras”, diz escritor Carlos Taibo, numa fala à Puerta del Sol ocupada

Embrião de uma nova esquerda?
Origens do movimento espanhol revelam uma clara busca de pós-capitalismo e um esforço para superar as velhas formas de centralização. Por Luís F. C. Nagao

Para acompanhar via net a Espanha Rebelde
A rebelião será transmitida online: sites, twitter, facebook, mapas interativos, webcams, e álbuns de fotos permitem seguir movimento sem intermediários. Por Cauê Ameni

O manifesto DemocraciaYa
"Somos pessoas como você – não produtos do mercado. Unidos, podemos mudar. Vem conosco . É teu direito"


Argélia – 50 anos da morte de Fanon e 45 d’A Batalha de Argel
O Laboratório de Pensamento Social do CPDOC/FGV (LAPES), convida para a palestra de Arthur Poerner (1939). Poerner é escritor e jornalista carioca, ex-presidente da Fundação MIS/RJ e do Sindicato dos Escritores do Estado. Ex-prof. de Jornalismo da UERJ, trabalhou no Jornal do Commercio, Correio da Manhã, Voz da Alemanha, Pasquim, Istoé, Jornal do Brasil, TV-Globo, membro da ABI e tantos outros. Autor de vários livros, entre eles: O poder jovem: história da participação política dos estudantes brasileiros, na 5ª edição, e o romance Nas profundas do inferno, lançado na Espanha, premiado na Itália.

Data: 27 de maio de 2011, sexta-feira, às 15h
Local: Fundação Getulio Vargas, sala 306, 3º andar
Praia de Botafogo, 190.


De cidade morta a cidade turística: uma análise da trajetória da preservação e do desenvolvimento turístico em Ouro Preto.
O Laboratório de Estudos do Turismo, Esportes e Lazer (LETEL) do CPDOC convida para a apresentação de Leila Bianchi Aguiar (Professora do Programa de Pós-Graduação em História da Unirio) intitulada “De cidade morta a cidade turística: uma análise da trajetória da preservação e do desenvolvimento turístico em Ouro Preto”

Data: 31 de maio de 2011, terça-feira, às 14h30
Local: Fundação Getulio Vargas, sala 418, 4º andar
Praia de Botafogo, 190.

Seleção de bolsista para Relações Internacionais

O Centro de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV/CPDOC), em parceria com a Fundação Konrad Adenauer no Brasil, comunica a abertura do processo para a atribuição de 1 (uma) Bolsa de Pesquisa Konrad Adenauer em Estudos Europeus. As inscrições estão abertas até 5 de junho. O edital completo, com detalhes sobre a bolsa e o perfil pretendido dos candidatos, está disponível na página http://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/Edital%20KAS&FGV.pdf.



A diretora do Instituto de Ciências Humanas e da Informação – ICHI, da Universidade
Federal do Rio Grande (FURG), torna público que estarão abertas às inscrições para a
Seleção Pública de Professor Visitante, para atuar nos Cursos de História Licenciatura e
Bacharelado, assim como, na elaboração da proposta de Programa de Pós-graduação em
História, conforme descrito a baixo:
ÁREA: História
TOTAL DE VAGAS: 01 (uma)
TITULAÇÃO MÍNIMA: Doutorado
REGIME DE TRABALHO: Dedicação exclusiva, 40 horas;
DURAÇÃO DO CONTRATO: 12 meses, prorrogáveis por mais 12 meses;
FORMA DE SELEÇÃO: Processo seletivo simplificado, compreendendo (i) Análise do
Curriculum Vitae (caráter eliminatório) e (ii) análise da proposta de trabalho.
PRÉ-REQUISITOS:
•Diploma de doutor em história;
•Ser portador do título de doutor no mínimo há dois anos;
•Não ter vínculo empregatício ou estatutário;
•Não ser aposentado;
•Graduação em história;
•Ter produção científica relevante nos últimos 5 anos;
DOCUMENTAÇÃO:
•Proposta de trabalho a ser desenvolvida durante a atuação nessa universidade;
•Currículo Lattes (CNPQ) documentado, com destaque à produção científica dos
últimos 5 anos;
•Cópias dos históricos escolares da graduação e do doutorado;
•Cópia dos diplomas de graduação e de doutorado;
•Cópia da cédula de identidade, CPF, título eleitoral, comprovante de votação e
quitação com o Serviço Militar (se for o caso);
•A documentação solicitada neste edital não será revisada no ato de recebimento. A
responsabilidade pela entrega da documentação e pela veracidade de todas as
informações prestadas é exclusivamente do candidato.
INSCRIÇÕES:
Período: de 23/05/2011 a 03/06/2011.


Divulgação da Revista Poiesis da UFG campus Catalão, que está aberta a oportunidade para publicação de artigos, conforme informe e solicitação do Prof. Dr. Wolney Honório.
Segue o link da revista eletrônica: http://www.revistas.ufg.br/index.php/poiesis/index


Segue abaixo link da FGV para cursos gratuitos online.
Só não adquire conhecimento e se atualiza quem não quer.
www.fgv.br/fgvonline/cursosgratuitos.aspx

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Numero 278





Se o último número do Boletim foi monotemático, este é, sem dúvida politemático. Muitas matérias interessantes foram enviadas por leitores fiéis e não vejo como não publicá-las. Então, aproveitem! Hoje tem para todos os gostos!

Antes, um reparo. Ontem enviei a muitos leitores do boletim uma informação que não condiz com a realidade, a respeito da divulgação da coleção Estudos de Historia. Haviamos sido informados de que uma palestra acontecera em BH e que teria sido proferida por um outro autor da mesma editora. Como a fonte era séria e confiável, enviamos a nota. Hoje ficamos sabendo que a palestra foi proferida por autor de outra editora, pelo que gostaríamos de nos desculpar.




Comecemos pela educação. Guilherme Souto me enviou este link para uma fala de uma professora do Rio Grande do Norte em Audiência Pública na Assembléia Legislativa daquele Estado. Qualquer semelhança com o resto do país NÃO É mera coincidência!
Assistam!!!


https://www.youtube.com/watch?v=7iJ0NQziMrc&feature=player_embedded



Passemos para a prisão do poderoso chefão do FMI. No Blog do Mello algumas considerações interessantes a respeito:

Jonathan Pinet (o @j_pinet do Twitter) é estudante de Ciências Políticas em Paris e militante da UMP, do presidente francês Nicolas Sarkozy. Coincidentemente, ele tem um amigo em Nova York. Coincidentemente também esse amigo tem um amigo que faz um estágio num hotel em Nova York. Coincidentemente o diretor geral do FMI Dominique Strauss-Kahn se hospeda nesse hotel e (segundo a polícia dos EUA) tenta estuprar uma camareira. Coincidentemente esse amigo do amigo de Pinet está no hotel, fica sabendo do caso, da prisão de DSK e conta para seu amigo, que passa a informação a Pinet pelo Facebook.
Pinet acha a informação "relevante" e a publica em seu twitter. Exatamente 10 minutos após a prisão de DSK. Furo mundial. Que só aconteceu por acaso, como as demais informações anteriores, todas fornecidas por Pinet numa postagem em seu blog (olha aí mais uma vez a rede Twitter, Facebook, blogs em ação).
Mas, na França, a teoria de que DSK caiu numa armadilha já se alastrou:
Depois de Pinet, apontam os defensores da tese da armadilha, a informação foi retransmitida pelo site Atlantico, o mesmo que publicou há dias a incômoda fotografia de DSK a entrar num luxuoso Porsche – que era de um amigo, e não do líder socialista. Tanto aquela publicação como o jovem militante da UMP desmentiram junto do jornal Le Post qualquer envolvimento numa suposta conspiração.

Entrevista premonitória

Outros recordam uma entrevista daquele que até domingo era o mais provável candidato presidencial do PS francês, a 28 de Abril, também ao Libération. DSK admitiu ser possível que o tentassem prender, imaginando mesmo um cenário conspirativo: «Uma mulher que é violada num parque de estacionamento. Uma mulher a quem prometem 500 mil ou um milhão de euros para inventar tal história».
A ideia de uma campanha para denegrir a imagem do pré-candidato socialista também ganha força quando recordadas as últimas manchetes feitas com DSK. A já referida notícia da Atlantico, de que o líder do FMI se fazia passear num Porsche, teve como origem o círculo próximo do Presidente Sarkozy, que dias antes da divulgação da imagem declarara que ele, apelidado de «Presidente dos ricos», «não era nada ao lado de Strauss-Khan».
Também na semana passada, foram revelados dados sobre o património imobiliário de DSK, que inclui casas em Marrocos e nos Estados Unidos. E dias depois, o France-Soir acusava Strauss-Kahn de vestir fatos de 35 mil dólares.

Um homem 'vulnerável', mas não tanto

Tanto rivais políticos como colegas de partido convergem ao afirmar que DSK tem «um problema» com as mulheres, nota o Le Monde. Mas também é generalizada a sugestão de uma possível armadilha.
«Eu acho que provavelmente montaram uma armadilha contra Dominique Strauss-Kahn, e que ele caiu», afirmou a presidente do Partido Democrata-Cristão Christine Boutin. Quem é o autor da conspiração? «Tanto podia ser alguém do FMI, como da direita francesa, ou da esquerda francesa», admite.
Dominique Paillé, que até Janeiro foi porta-voz da UMP, diz acreditar que DSK, «vulnerável» perante as mulheres, pisou uma «casca de banana».
«Não podemos deixar de pensar numa armadilha», disse o ministro francês para a Cooperação Henri de Raincourt (UMP).
Mais próxima de Strauss-Kahn, a socialista Michèle Sabban sugere um «complô internacional» contra o francês. «Mais do que a candidatura presidencial, quiseram foi decapitar a liderança do FMI», acusou Sabban, para quem DSK era, por inerência das suas funções num cenário de crise internacional, «o homem mais importante do mundo depois de Obama»



Em seguida, o caso aqui no Brasil do ministro Palocci:


À espera das explicações de Palocci
José de Souza Castro, do blog da Kikacastro:


Nessa história do enriquecimento súbito do ministro da Casa Civil Antônio Palocci, revelado neste fim de semana pela “Folha de S. Paulo”, muita coisa precisa ainda ser explicada pelo denunciado. E ninguém espera que o assunto seja esquecido tão rapidamente quanto deseja o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), que declarou hoje ao mesmo jornal: "Confio no Palocci. Ele deu uma explicação e, para mim, isso é página virada."
A explicação do ministro, publicada hoje pelo jornal, é que o apartamento de R$ 6,6 milhões e o escritório de R$ 882 mil foram comprados pela sua empresa, a Projeto, que foi aberta em 2006, quando ele se elegeu deputado federal, para "a prestação de serviços de consultoria econômico-financeira" e que essas atividades foram encerradas em dezembro, por conta da sua nomeação a ministro por Dilma Rousseff. Mas Palocci não disse quem foram os clientes da empresa e nem qual seu faturamento ao longo de quatro anos.
Isso é que precisa ser explicado. Não é possível justificar a multiplicação por vinte do patrimônio de Palocci, em quatro anos, a não ser pelo faturamento da empresa que, pelo que se conhece até agora, só tem uma empregada que nem sabe o que faz a Projeto. A empresa, pelo que declarou o ministro, está agora administrando os seus dois imóveis, apenas. Ainda segundo o jornal, nesses quatro anos, Palocci recebeu da Câmara dos Deputados R$ 974 mil, brutos.
E se o ministro estiver mesmo disposto a esclarecer tudo, ele podia também informar qual o salário que recebe hoje como homem público. Se o de ministro ou o de deputado federal. Se for este, ele está de parabéns: vai embolsar 400 mil reais por ano, com o último reajuste, de 62%, que os parlamentares se concederam.
Se ele conseguir viver apenas dos rendimentos da Projeto – e ela vai ter que faturar muito –, daqui a pouco mais de 18 anos, se continuar deputado federal, ele vai poder comprar outros dois imóveis, pelo mesmo preço, sem precisar se explicar muito.


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A geração condenada da Grécia
Para quem tem entre 18 e 24 anos de idade, o mais certo é estar desempregado como 40% da sua geração. Quem tem trinta e poucos anos e um emprego, é provável que seja a tempo parcial e flexível. É possível que não o imagine estável e não faz ideia do tempo que irá durar. Os salários caem gradualmente, não se pode fazer greve, não podemos nos organizar de forma coletiva e nem sequer exigir que nos paguem. As férias estão fora de questão, adoecer é um risco demasiado grande e não é possível ter casa própria. O artigo é de Hara Kouki.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17801&boletim_id=909&componente_id=14737





Chico Mendes: Jornal sabia que ele seria morto e em vez de avisar à polícia mandou equipe para cobrir assassinato?
http://blogdomello.blogspot.com/2011/05/chico-mendes-jornal-sabia-que-ele-seria.html




Robert Fisk na GloboNews e o momento em que terminou a entrevista
Por Ana Helena Tavares
Se me contassem, eu não acreditaria, mas ouvi em inglês e ainda li as legendas. Nesta segunda-feira à noite, o britânico Robert Fisk , um dos mais conceituados jornalistas do mundo, terminou sua entrevista à GloboNews, com uma declaração bombástica: “Já estive em São Paulo e a máfia que encontrei lá é mais perigosa que a Al Qaeda.”
Leia matéria completa aqui:
http://quemtemmedodademocracia.com/2011/05/10/robert-fisk-na-globonews-e-o-momento-em-que-terminou-a-entrevista/




A ausência de mão de obra qualificada nos Estados Unidos:
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-ausencia-de-mao-de-obra-qualificada-nos-eua




A corrupção nos Estados Unidos:
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-corrupcao-nos-estados-unidos




A Revista Espaço Acadêmico, EDIÇÃO ESPECIAL 10 ANOS, nº 120, Maio de 2011, foi publicada. Acesse:
http://www.periodicos.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico/issue/current


Destacamos, nesta edição, o DOSSIÊ PSICANÁLISE & EDUCAÇÃO, organizado pelo Prof. Dr. Sergio Sklar. Agradecemos, pela contribuição com a REA e seus leitores. Somos gratos, também a todos que contribuíram com o dossiê, colunistas e colaboradores.

Concurso de redação –Ciência e Religião
o concurso é para graduandos (formandos) em Ciências Humanas (Teologia inclusive) e em Ciências; mestrandos e doutorandos.
Mais detalhes em
http://www.cyral.org/pt/concursos/51-student-essay-competition




Leia no WWW.outraspalavras.net



Olgária Matos entre Direitos, Desejos e Utopia
Entrevistada para projeto Revoluções, filósofa vê em 1968 o momento em que a ideia de transformação social começou a mudar

Bahrain: onde o Ocidente não veste máscara
Robert Fisk analisa caso emblemático do reino árabe que pratica massacres e torturas sem que OTAN cogite em “intervenção humanitária”





ANTROPOLOGIA HIPERDIALÉTICA
Autor: Mércio Pereira Gomes
Há pouco mais de trinta anos, a Antropologia sofreu uma guinada inesperada em sua trajetória de ciência do Homem. Assentada desde o século XIX em teorias e visões de cunho científico, orientadas ora pela lógica dialética – como o evolucionismo sociocultural, a ecologia cultural e o marxismo –, ora pela lógica da identidade – como o culturalismo e o funcionalismo –, ora pela lógica da diferença – como os durkheimianos da Escola Sociológica Francesa – e, por fim, pela lógica clássica ou sistêmica – como o estruturalismo –, a Antropologia foi açoitada por um tal vendaval de extravagâncias e exigências que a chacoalhou em suas modestas certezas científicas e em seus sinceros propósitos humanistas a ponto de, em certos momentos, pressentir que, talvez, nem mais sentido faria. Hoje ela aí está a cambalear zonza e atônita com o que lhe vem acometendo.
É chegada a hora de um acerto de contas com esse estado de coisas, de enfrentar as incertezas e os dilemas, de rediscutir os princípios e as teorias que dão sustentação ao pensar antropológico e formular as bases constitutivas de uma nova teoria da Antropologia, uma Antropologia Hiperdialética, objeto deste livro inovador.
Editora Contexto, 29 reais.


I SIMPOSIO INTERNACIONAL “LEGADOS DA DIÁSPORA AFRICANA NO BRASIL E NOS ESTADOS UNIDOS”
CONVIDADOS:
Dr. Akin Ogundiran – University of North Carolina at Charlotte
Dr. Andrea Patterson – Winston-Salem State University
Dr. Jerry Dávila – UNCC - University of North Carolina at Charlotte
Dr. Jurgen Buchenau – University of North Carolina at Charlotte
Dr. Marcos Antônio Alexandre – Universidade Federal de Minas Gerais
Dr. Robert Anderson – Winston-Salem State University
Dr. Tom Rogers – University of North Carolina at Charlotte
Dra. Ângela Maria de Randolpho Paiva – Pontifícia Universidade Católica - RJ
Dra. Maria Cristina Damianovic – Universidade Federal de Pernambuco
Dra. Maria Nazareth Soares Fonseca – UFMG/Pontifícia Universidade Católica - MG
Dra. Míriam Lúcia dos Santos Jorge – Universidade Federal de Minas Gerais
Dra. Nilma Lino Gomes – Universidade Federal de Minas Gerais
Dra. Vanda Lúcia Praxedes – Universidade do Estado de Minas Gerais
Dias – 26 e 27 de Maio de 2011 quinta e sexta feira
Horário – 08:30h às 19:00h
Local – Faculdade de Letras da UFMG – auditório 1007
(dia 26)
Faculdade de Educação da UFMG - Auditório Luiz Pompeu (dia 27)
Av. Antônio Carlos 6627 – Pampulha – BH/MG
Serão emitidos certificados de participação
Haverá tradução simultânea
Horário de atendimento: segunda a sexta de 14 às 18 horas
e-mail: legados.diaspora@gmail.com

Inscrições e informações pelo site: https://sites.google.com/site/simposiocapesfipse/
APOIO: PAIE/UFMG e CAPES

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Numero 277




Este número está totalmente binladeano. A profusão de matérias a respeito da morte de Osama Bin Laden por nós recebida, fez com que selecionássemos algumas que consideramos mais significativas e apresentássemos os links para outras.
Tem de tudo, até as famosas teorias conspiratórias, que só se tornam possíveis, a meu ver, em razão da grotesca e holliwoodiana forma como o episódio foi apresentado ao mundo pelo governo norte-americano.
Eu sei que o assunto já está cansando, por isso optei por reunir todo o material neste número e não se fala mais do assunto.







A morte e a morte de Osama Bin Laden
texto de José de Souza Castro:
Perguntar não ofende: Osama Bin Laden morreu mesmo? Se morreu, cadê o corpo? Não é a primeira vez que os Estados Unidos matam o terrorista. Da primeira, ele morreu como rato dentro de cavernas bombardeadas no Afeganistão, alguém se lembra?
Qualquer detetive de porta de cadeia sabe que provar assassinato sem um corpo do morto é tarefa quase impossível. Juízes e júris querem saber do corpo, antes de condenar alguém.
Se Osama morreu – e nem foi assassinato, digamos – por que ocultar o corpo? O mundo não avançou muito desde que Tiradentes foi julgado, enforcado e esquartejado, para que pessoas de diferentes lugares vissem pedaços de seu corpo, numa época em que não havia jornais no Brasil e muito menos TV, para mostrar o corpo às massas. Para que, ao ver, acreditassem que ele estava morto e, com ele, queria a coroa portuguesa, os sonhos de liberdade.
O mundo não avançou muito desde que Lampião foi morto numa batalha – não sei se houve julgamento antes, alguém sabe? – e teve sua cabeça separada do corpo, para ser exposta às multidões. O governo queria que a luta desesperada dos cangaceiros tivesse um fim e nada melhor para isso do que expor a cabeça de Lampião e de Maria Bonita.
O mundo não avançou muito desde que o ideal de independência de seguidores de Osama é tratado pelas potências mundiais como mero terrorismo e se tenta silenciá-lo pelo poder das armas.
E o mundo não avançou muito, definitivamente, quando homens fortemente armados saem numa caçada para matar um homem, sem julgamento, e se oculta o corpo nas profundezas do mar.
Bem, vamos supor que Osama morreu mesmo. Mas terá morrido a causa pela qual ele lutava e que custou milhares de vidas, mundo afora? Quantas vidas mais serão necessárias, para que os poderosos do mundo comecem a pensar numa maneira de pôr fim às injustiças que fazem nascer os Tiradentes, os Lampiões e os Osamas?




A intrigante (e oportuna) morte de bin Laden
Os EUA procuram desesperadamente meios e modos para mitigar o isolamento regional de Israel, no contexto dos levantes populares no Oriente Médio.
por M K Bhadrakumar, Strategic Review
Tradução do Coletivo Vila Vudu
Considerem a ironia da coisa. Osama bin Laden foi finalmente apanhado, não em áreas selvagens e sem lei do Afeganistão, mas na aprazível cidade de Abbottabad, a menos de 50 quilômetros de distância dos quartéis militares em Rawalpindi. Desde os tempos da colonização britânica, Abbottabad é tradicionalmente cidade de alta concentração de militares aposentados. Há ali uma base da Segunda Divisão Norte do Exército do Paquistão. A casa de Bin Laden, de dois andares, com muros de mais de 3m de altura no distrito residencial de Abbottabad, a poucas centenas de metros de um quartel, tem todas as características de “casa de segurança” da inteligência do Paquistão.
Make no mistake (como gosta de dizer o presidente Obama), sobre esse caso: a operação para matar bin Laden foi operação conjunta de forças especiais do Paquistão-EUA. Não há meio concebível pelo qual os americanos conseguiriam andar naquela região do Paquistão, sem conhecimento da inteligência local (além do mais, Abbottabad é passagem da sensível “rota” até a estrada Karakoram que leva à China). Em nenhum caso os EUA teriam acesso à informação de inteligência “em tempo real” de que bin Laden estaria nos arredores de Abbottabad, sem envolvimento direto das agências paquistanesas.
Mas a grande pergunta é por que, afinal, o comando militar do Paquistão teria decidido entregar bin Laden – e a ocasião da entrega. Tudo depende da resposta que se dê a essa questão. Para responder, é preciso considerar que bin Laden sempre foi “a carta trunfo” com que contavam os militares paquistaneses, a ser jogada em momento oportuno. Falando em termos históricos, a inteligência e os militares paquistaneses sempre cuidaram de modular muito atentamente suas relações de trabalho com o Pentágono e a CIA. Muito evidentemente, os militares paquistaneses entenderam que um favor prestado ao presidente Barack Obama, nesse preciso instante, aumentaria muito as possibilidades de obter bom negócio, no “retorno”.
A opinião pública nos EUA já está definitivamente contra a guerra do Afeganistão e absolutamente insatisfeita com o modo como Obama administra o conflito. Obama carece desesperadamente de alguma história de “sucesso” no Hindu Kush. E bin Laden é questão de alto conteúdo emotivo para o público norte-americano. Daqui em diante, por algum tempo, Obama surfará gorda onda de fervor patriótico nos EUA, de onde podem advir dividendos interessantes com vistas à reeleição em 2012.
No que tenha a ver com a liderança dos militares paquistaneses, o que mais interessa nesse momento é que começa a delinear-se o fim da guerra do Afeganistão. Nunca antes o Paquistão esteve tão próximo de alcançar o seu objetivo, de conseguir “profundidade estratégica” no Afeganistão – o que tem a ver com reintegrar os Talibã à estrutura de poder em Kabul. Para conseguir isso, o consentimento dos EUA é pré-requisito vital. E, ultimamente, tem havido tensões sempre crescentes nos contatos entre militares e inteligência dos EUA e do Paquistão. O assassinato de bin Laden é como um teste limite, para que os EUA possam aferir a confiabilidade, como aliados, dos militares paquistaneses. Em resumo: serviço feito e entregue, os militares paquistaneses passam a esperar a recompensa que Obama lhes deve.
Não cabe dúvidas de que Obama terá de recompensar o risco grave que os militares paquistaneses assumiram, ao aceitar colaborar na ação para matar bin Laden. É praticamente certo que a al-Qaeda atacará com fúria o estado paquistanês, na sequência do que será definido como ato de “traição” a bin Laden cometido pelos militares paquistaneses. Outra vez, o xis da questão está em que bin Laden é questão também altamente emocional para o povo paquistanês, e as circunstâncias violentas em que foi morto podem criar situação política explosiva. Ninguém duvide que Obama terá de recompensar o Paquistão, sobretudo os militares, assegurando-lhes o apoio dos EUA, que tanto fizeram por merecer.
Os vários grupos guerrilheiros que operam nas áreas tribais da região de fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão, que sempre sustentaram a al-Qaeda, também buscarão vingança contra os militares paquistaneses. Claro que os militares paquistaneses, tradicionalmente cautelosos, sopesaram os prós e contras, antes de tomar decisão que, como todos sabiam, desencadearia tempestades terríveis na opinião pública local.
Mas a autoconfiança também se explica, de certo modo, dado que desde ontem ao final do dia os partidos paquistaneses do “Islã Pasand” também fazem jus às recompensas, porque são patrocinados pelo establishment militar (e altamente vulneráveis a chantagem política). Mais uma vez, e retórica à parte, as elites políticas e a aristocracia feudais paquistanesas aí estão, como sempre, mendigando qualquer apoio dos EUA, por mínimo que seja. Em nenhum caso se atreveriam a terçar lanças com os militares sobre questão de que depende a própria existência daquelas elites políticas e aristocracia feudais.
Por tudo isso, é sumamente significativo que a declaração de Obama sobre o assassinato de bin Laden tenha deliberada e declaradamente reduzido a importância da cumplicidade dos militares paquistaneses na operação das Forças Especiais. Significa que Obama vê o quanto é criticamente importante para os dois lados que se preservem relações de trabalho produtivas entre EUA e os militares paquistaneses, no difícil período que se inicia. Por isso, é importante que Washington não se ponha a dizer coisas que criem problemas locais para os militares paquistaneses ou que tornem a situação ainda mais precária para os generais em Rawalpindi.
E o que significa, para a segurança regional, essa espécie de condomínio que EUA e Paquistão começam a construir? Devem-se considerar três fatores.
Primeiro, Obama tem agora mão relativamente livre para implantar sua estratégia afegã. E EUA e Paquistão, agora, têm um ponto de contato, dado que EUA e Paquistão querem que a guerra do Afeganistão acabe imediatamente.
Mas a prioridade de Obama é deixar no Hindu Kush (região onde se cruzam fronteiras de China, Rússia e Irã) uma presença militar de EUA e OTAN, de longo prazo – prioridade que se integra nas estratégias globais dos EUA –, mas sem que soldados norte-americanos e europeus lá tenham de ficar, morrendo e inflamando a opinião pública nacional nos países ocidentais.
Por seu lado, o Paquistão deseja a reintegração dos Talibã. No pé em que estão hoje, são objetivos conciliáveis. Pode-se agora esperar que EUA e Paquistão cheguem mesmo a alcançar um modus vivendi no qual sejam atendidos e acomodados os interesses dos dois lados.
Segundo, as prioridades de política externa de Obama estão sendo dirigidas para o Oriente Médio, área pivô decisiva para as estratégias globais dos EUA para o século 21. O Paquistão pode desempenhar papel importante na defesa da segurança dos regimes “pró-ocidente” em toda a região do Golfo Persa. Já há na ativa cerca de 30 mil mercenários paquistaneses (incluído aí alto número de ex-soldados), operando hoje na segurança do ditador sitiado do Bahrain.
A situação de máxima ameaça para a estratégia regional dos EUA no Golfo Persa acontecerá se o regime na Arábia Saudita começar a ser seriamente ameaçado.
Os EUA não podem ocupar militarmente e ostensiva e diretamente a Península Arábica, onde estão Meca e Medina. Mas o Paquistão – país de sunitas, muçulmanos pios, com exército gigante e poderoso, pode.
Quer dizer, os EUA veem o Paquistão, depois de varridas de lá as preocupações com a Al-Qaeda e a guerra afegã, como eficiente “provedor” de segurança para todos os aliados dos EUA no Golfo Persa.
Desnecessário dizer que a Arábia Saudita sente-se muito aliviada com a eliminação de bin Laden nesse preciso momento crucialmente decisivo. (Fator interessante a considerar é o muito que o regime saudita pressionou a liderança militar paquistanesa para que se livrasse de bin Laden.)
Terceiro, as políticas dos EUA de intervencionismo e unilateralismo ganham importante impulso. O assassinato de bin Laden é como o acerto de contas de justificação, uma espécie de vingança, da chamada “guerra ao terror” em que embarcou George W. Bush. Sob o pretexto de combater as forças do terrorismo, os EUA puseram-se a invadir estados soberanos – Iraque e Líbia.
Agora, fosse qual fosse a oposição que a opinião pública norte-americana já farta de guerras tivesse a fazer contra o establishment em sua marcha imperial, acabará dissipada no novo clima de patriotismo fanático que embriaga os EUA [e embriaga também todos os jornalistas e comentaristas brasileiros da Rede Globo, mais ‘nacionalistas patrióticos’ e fanáticos a favor dos EUA, do que qualquer Sarah Pallin! [risos, risos] (NTs)].
À medida em que a crise econômica agrava-se e aprofunda-se no mundo capitalista, sempre lá estará, ativada, a possibilidade de inventarem-se guerras em países periféricos. A história moderna está cheia de exemplos. A opinião da direita nos EUA ganhará espaço, no clima de guerra; e ela sabe, como ninguém, exigir intervenções militares cada vez mais robustas.
Para dizê-lo em poucas palavras, a probabilidade de ocupação prolongada no Afeganistão e no Iraque, e de erupção de conflito militar com o Irã, aí estão e são grandes.
Os EUA procuram desesperadamente meios e modos para mitigar o isolamento regional de Israel, no contexto de levantes populares no Oriente Médio. O processo de paz no Oriente Médio está num beco sem saída. Simultaneamente, a chamada “Primavera Árabe” ameaça semear em vários pontos revoluções semelhantes à egípcia, onde o regime sucessor, atento à opinião pública, já trabalha consistentemente de costas para as políticas pró-EUA e pró-Israel que fizeram a fortuna de Hosni Mubarak.
Pelos mesmos motivos, os governos da Síria e do Irã passarão a enfrentar descomunal pressão, pelos EUA, nos próximos meses.
Interessa às políticas regionais dos EUA no Oriente Médio muçulmano forçar a polarização entre grupos sectários – pintando os conflitos como se algum “salafismo” estivesse sendo atacado por algum “xiismo” ressurgente. É truque garantido para desviar a atenção dos processos históricos que, sim, ameaçam a sobrevivência dos regimes pró-EUA na região. Já se veem os primeiros sinais do “revide contrarrevolucionário”. O assassinato de bin Laden, nessa conjuntura crucial, livra os EUA do peso da guerra afegã e prepara o cenário para a nova guerra da hora, no processo para inventar um “novo Oriente Médio”. O assassinato de bin Laden não poderia ter sido planejado para ocorrer em momento mais oportuno.



BIN LADEN MORTO
Perigos da história instantânea
Por Alberto Dines em 10/5/2011 (do Observatorio da Imprensa)

Milagros Pérez Oliva, a "Defensora del Lector" do El País, chama a atenção na análise do último domingo para o que o jornalista italiano Furio Colombo classificou como "noticia-acatamento" ‒ uma informação tão entranhada com a fonte que o jornalista corre o perigo de converter-se em propagandista da versão oficial.
Exatamente isto ocorreu no final da noite de 1º de maio depois do solene anúncio do presidente Obama sobre a eliminação do terrorista-mor e Inimigo Público Nº 1 dos EUA. Passados 10 dias, o quadro permanece inalterado: só há uma fonte – o governo americano – e, apesar das sucessivas correções em seus próprios comunicados, não apareceu um polo alternativo fidedigno. Nem mesmo o Paquistão – tão perto e tão distante ‒ conseguiu ocupar essa posição, tamanha é a suspeição que envolve o seu governo e seu controverso serviço de inteligência (o ISI), mais absorvido pelo formidável crescimento da arquirrival Índia do que com seus compromissos no bloco antiterrorista.
A dependência informativa da mídia americana é igual, mas seus maiores veículos dispõem de profissionais com décadas de experiência em coberturas internacionais, comentaristas oriundos da área acadêmica, de segurança, ou de ambas. Apoiado nesse suporte analítico, oferece ao leitor denso material de apoio, que, evidentemente, não substitui o noticiário "quente", mas o antecede satisfatoriamente.
Exemplo: na manhã desta segunda, 9/5, o blog restrito da New York Review of Books oferecia farto background sobre os últimos anos de bin Laden, as mudanças que ocorrem na al-Qaida e o contencioso EUA-Paquistão. Não poderia ser classificado como noticioso, mas funcionava como antecipação para um noticiário que estouraria a qualquer momento. Estourou poucas horas depois, no início da noite, ao revelar-se novo atrito entre o ISI e a CIA.
Lobby midiático da direita
Outra fonte capaz de neutralizar a postura passiva ou a "notícia-acatamento" mencionada pela Ouvidora do El País é a análise do comportamento da mídia, o já mencionado "meta-jornalismo".
Mesmo que a Casa Branca tenha trancado a liberação de novos fatos relacionados com a execução de Bin Laden, é possível produzir novas percepções a partir do comportamento da mídia americana (ou em países onde é diversificada).
Assim é que as primeiras exigências para a publicação das fotos do cadáver de Bin Laden partiram do poderoso lobby midiático da direita dos EUA, assustado com a perspectiva da reeleição de Barack Obama. Imaginava tratar-se de uma jogada de marketing político para reverter os baixos índices de popularidade do atual ocupante da Casa Branca. Os ferozes reacionários norte-americanos sequer permitiram-se gozar o alívio de saber que Bin Laden estava no fundo do mar – queriam antes de tudo tirar o "socialista" da Casa Branca.
Uma análise do comportamento da mídia brasileira – cujo grau de diversificação política é tênue ‒ revela que as vozes mais veementes na crítica ao viés estatizante de Obama, por casualidade, foram as mais empenhadas em questioná-lo a respeito do ocorrido em Abbotabad.
Para entender o Oriente (Próximo, Médio ou Extremo) faz-se necessária uma sutileza e uma paciência que a nossa esbaforida mídia não tem condições de exercitar. A compulsão para produzir veredictos imediatos, a obsessão palpiteira e a crença de que basta uma declaração de qualquer guru para encerrar qualquer controvérsia achatam nosso noticiário internacional e, por extensão, os paradigmas que serviriam às demais editorias.
O século XX acabou em 11 de Setembro de 2001. O desfecho da caçada ao responsável pelo que aconteceu naquele dia precisa de mais perspectiva para ser devidamente avaliado. A História instantânea é uma História incompleta.



Até a Folha de São Paulo publicou opiniões que divergem daquela transmitida pelo governo norte-americano:
RICARDO MELO
Licença para matar

SÃO PAULO - Não será do dia para a noite que se terá acesso ao que realmente ocorreu no esconderijo do terrorista Osama bin Laden. Mas até a imprensa americana, que desde a Guerra do Golfo trocou o jornalismo pela "embedagem" ao governo, desconfiou do anúncio hollywoodiano da Casa Branca, versão democrata das "armas de destruição em massa" da era Bush.
Os lances épicos da violenta troca de tiros, da mulher usada como escudo, da resistência feroz deram lugar a um enredo bem mais prosaico. Provavelmente houve uma execução, e ponto. Tal descrição não comporta nenhum juízo de valor.
Bin Laden e quem se engaja no terrorismo e no fanatismo religioso têm consciência que o risco de morrer faz parte do (mau) negócio. O prontuário de crimes do chefe da Al Qaeda apontava para este final.
Mas incomoda, para dizer o menos, aceitar como natural a baboseira de Obama e dos europeus, para os quais a "justiça foi feita".
Como assim? Os EUA invadem um país, fuzilam um inimigo sem julgamento, jogam o corpo do sujeito no mar e estamos conversados. Tudo isso depois de se valerem de "técnicas coercitivas de interrogatório", eufemismo para tortura com afogamentos. E ainda vem a ONU, candidamente, dizer que "é preciso investigar" se o direito internacional foi desrespeitado.
A lógica política da operação Geronimo é a mesma que preside a intervenção seletiva nos conflitos na África e no Oriente Médio. Gaddafi, o ex-amigo, agora é inimigo, então chumbo nele e na família. Já na Síria não é bem assim, tampouco no Iêmen e na Arábia Saudita - azar de quem nasceu rebelde por ali. Mais uma vez, os EUA tratam o planeta como quintal, e usam a ONU de plateia para as "rambolices".
Que Obama, um político comum, comemore o ganho de popularidade às vésperas da batalha pela reeleição, é compreensível. Já o resto do mundo dito civilizado assistir a tudo com tamanha complacência apenas sinaliza o que está por vir.
(Folha de São Paulo, 05 de maio de 2011)


No Blog do Mello:


Diretor da CIA nega que Barack Obama tenha assistido ao vivo à operação que teria resultado na morte de Bin Laden
Posted: 05 May 2011 06:27 AM PDT
Como diz a Bíblia, a cada dia sua agonia. Só no Jornal Nacional a operação dos Estados Unidos que teria resultado na morte de Osama Bin Laden foi um sucesso total, cercada de planejamento, estratégia e realização perfeitos. Mas, o que esperar de um departamento de jornalismo dirigido por alguém que acha que não há racismo no Brasil e que em seu livro sobre o Islã parece endossar a tese de que os Estados Unidos invadiram o Iraque porque acreditavam realmente que aquele país estava desenvolvendo armas químicas...
O novo desmentido, ou a nova versão a contradizer uma anterior do governo estadunidense, vem do diretor da CIA, Leon Panetta. Segundo ele, seria impossível assistir à ação porque houve um blecaute que durou de 20 a 25 minutos.
Panetta também disse que não procede a informação de que a ordem para executar Bin Laden teria partido do presidente Obama. Quem tomou a decisão foi o comando que invadiu a casa onde estaria o terrorista da Al Qaeda.
[Fonte: The Telegraph]



Também do Blog do Mello:
As sete perguntas que o cineasta Michael Moore enviou a George W.Bush, sem receber resposta:


CARA, PRA ONDE FOI O MEU PAÍS?

Eu tenho sete perguntas para você, Sr. Bush. Eu as proponho em nome das 3 mil pessoas que morreram naquele dia de setembro e pergunto em nome do povo norte-americano. Nós não queremos vingança contra você. Só queremos saber o que aconteceu e o que pode ser feito para levar os assassinos à justiça, para que possamos prevenir ataques futuros aos nossos cidadãos.

1. É verdade que os Bin Laden mantiveram relações comerciais com você e sua família de quando em quando nos últimos 25 anos?
A maioria dos norte-americanos pode ficar surpresa em descobrir que você e seu pai conhecem os Bin Laden há muito tempo. Qual é, exatamente, a extensão deste relacionamento, Sr. Bush? Vocês são amigos chegados, ou apenas sócios de vez em quando? Salem Bin Laden - irmão de Osama - veio pela primeira vez ao Texas em 1973 e depois comprou algumas terras, construiu uma casa e criou a Bin Laden Aviation no aeroporto de San Antonio.
Os Bin Laden são uma das famílias mais ricas da Arábia Saudita. Sua enorme empreiteira praticamente construiu o país, das estradas às usinas elétricas, dos arranha-céus aos prédios governamentais. Eles construíram algumas das pistas de pouso que os EUA utilizaram na guerra do Golfo de seu pai. Superbilionários, eles logo começaram a investir em outros negócios ao redor do mundo, incluindo os EUA. Eles têm grandes operações comerciais com o Citigroup, General Electric, Merrill Lynch, Goldman Sachs e Fremont Group.
De acordo com a revista New Yorker, a família Bin Laden também é proprietária de parte da Microsoft e da Boeing, gigante em aviação e defesa. Eles doaram US$ 2 milhões à sua alma mater, a Universidade de Harvard, e dezenas de milhares de dólares ao Conselho de Políticas para o Oriente Médio [Middle East Policy Council], think-tank dirigido por um ex-embaixador dos EUA na Arábia Saudita, Charles Freeman. Além da propriedade do Texas, eles também possuem imóveis na Flórida e em Massachusetts. Resumindo, eles estão enfiados até o nariz nos EUA.
Infelizmente, como você sabe, Sr. Bush, Salem Bin Laden morreu em um desastre aéreo no Texas em 1988. Os irmãos de Salem - há cerca de 50 deles, incluindo Osama - continuaram dirigindo as companhias e investimentos da família.
Depois de deixar a Casa Branca, seu pai se tornou um bem-pago consultor de uma companhia conhecida como Carlyle Group - uma das maiores empreiteiras militares no país. Um dos cotistas do Carlyle Group - com ao menos US$ 2 milhões - é ninguém menos que a família Bin Laden. Até 1994, você dirigiu uma companhia chamada CaterAir, propriedade do Carlyle Group.
Depois do 11 de Setembro, o Washington Post e o Wall Street Journal publicaram notícias apontando esta conexão. Sua primeira resposta, Sr. Bush, foi ignorá-las. Então seu exército de sábios entrou em ação. Eles disseram que não podíamos enquadrar estes Bin Laden com a mesma lente que usamos para Osama. Afinal, eles deserdaram Osama! Não têm nada a ver com ele! Estes são bons Bin Laden.
Aí apareceu a fita de vídeo. Ela mostrava alguns destes "bons" Bin Laden - incluindo a mãe de Osama, uma irmã e dois irmãos - com Osama, no casamento de seu filho, apenas seis meses e meio antes do 11 de Setembro. Não era segredo para a CIA que Osama Bin Laden tinha acesso à fortuna da família [sua parte é estimada em pelo menos US$ 30 milhões] e que os Bin Laden, assim como outros sauditas, mantinham bem patrocinados Osama e seu grupo, a Al-Qaeda.
Você ganhou um salvo-conduto da mídia, muito embora eles saibam que tudo o que acabo de escrever é verdade. Eles parecem desmotivados ou com medo de fazer uma simples pergunta a você, Sr. Bush: O QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI?
No caso de você não compreender o quão bizarro é o silêncio da mídia em relação às conexões Bush-Bin Laden, deixe-me fazer uma analogia com a maneira como a imprensa ou o Congresso teriam lidado com algo assim, se Clinton estivesse na mesma situação. Se, depois do ataque terrorista ao prédio federal em Oklahoma, fosse revelado que o presidente Bill Clinton e sua família tinham acordos financeiros com a família de Timothy McVeigh, o que você acha que o Partido Republicano e a mídia teriam feito?
Você acha que ao menos algumas perguntas seriam feitas, como, por exemplo, "Que merda é essa?". Seja honesto, você sabe a resposta. Eles teriam feito muito mais do que algumas perguntas. Teriam esfolado Clinton vivo e jogado sua carcaça na Baía de Guantánamo.
2. Como é o "relacionamento especial" entre os Bush e a família real saudita?
Sr. Bush, os Bin Laden não são os únicos sauditas com quem você e sua família têm uma forte relação pessoal. Toda a família real saudita parece em dívida com você - ou seria o contrário?
O fornecedor número um de petróleo para os EUA é a Arábia Saudita, proprietária das maiores reservas conhecidas de petróleo no mundo. Quando Saddam Hussein invadiu o Kuwait em 1990, foram na verdade os vizinhos sauditas que se sentiram ameaçados e seu pai, George Bush I, que veio em seu socorro. Os sauditas nunca esqueceram disso. Haifa, esposa do príncipe Bandar, embaixador saudita nos EUA, diz que sua mãe e seu pai "são como minha mãe e meu pai. Eu sei que se um dia precisar de qualquer coisa eu posso apelar para eles".
Um bom pedaço da economia norte-americana foi construído sobre dinheiro saudita. Eles têm um US$ 1 trilhão investidos em nosso mercado de ações e outro trilhão em nossos bancos. Se eles decidissem remover este dinheiro de repente, nossas corporações e instituições financeiras entrariam em parafuso, causando uma crise econômica de magnitude jamais vista. Junte-se a isso o fato de que os 1,5 milhões de barris de petróleo saudita de que precisamos diariamente podem sumir por mero capricho real e percebemos que não apenas você, mas todos nós, somos dependentes da Casa de Saud. George, isso é bom para a segurança nacional, a segurança de nossa pátria? É bom para quem? Você? Papai?
Depois de se reunir com o príncipe saudita em abril de 2002, você nos contou entusiasmado que vocês dois haviam "estabelecido um forte laço pessoal" e que vocês "passaram um tempão sozinhos". Você estava tentando nos acalmar? Ou apenas alardeando sua amizade com um grupo de governantes que rivalizam com o Talibã na supressão de Direitos Humanos? Por que a dupla afirmativa?
3. Quem atacou os EUA no 11 de Setembro - um sujeito em diálise numa caverna no Afeganistão, ou sua amiga, a Arábia Saudita?
Desculpe-me, Sr. Bush, mas uma coisa não faz sentido.
Você conseguiu fazer todos nós entoarmos o mantra de que Osama Bin Laden foi o responsável pelo ataque aos Estados Unidos em 11 de Setembro. Até eu estava fazendo isso. Mas então eu comecei a escutar histórias esquisitas sobre os rins de Osama. De repente, não sei em quem ou no quê acreditar. Como pode um cara sentado numa caverna no Afeganistão, conectado a uma máquina de diálise, dirigir e supervisionar as atividades de 19 terroristas por dois anos nos EUA, planejar tão perfeitamente o seqüestro de quatro aviões e ainda por cima garantir que três deles atingissem exatamente os seus alvos? Como ele organizou, comunicou-se, controlou e supervisionou um ataque como este? Com duas latinhas ligadas por um barbante?
As manchetes o anunciaram no primeiro dia e continuam a anunciá-lo da mesma maneira dois anos depois. "Terroristas atacam os Estados Unidos". Terroristas. Estive pensando nesta palavra por algum tempo, então, George, deixe-me lhe fazer uma pergunta: se 15 dos 19 seqüestradores fossem norte-coreanos, em vez de sauditas, e tivessem matado 3 mil pessoas, você acha que a manchete do dia seguinte seria "CORÉIA DO NORTE ATACA OS ESTADOS UNIDOS"? Claro que seria. Ou se tivessem sido 15 iranianos ou 15 líbios ou 15 cubanos, creio que o senso-comum ditaria a manchete "IRÃ [ou LÍBIA, ou CUBA] ATACA A AMÉRICA!" Porém, no caso do 11 de Setembro, você já ouviu algum apresentador, algum dos seus designados jamais proferiu estas palavras: "Arábia Saudita atacou os Estados Unidos" ?
Claro que não. Assim, a pergunta precisa - precisa - ser feita: por que não? Por que, quando o Congresso publicou sua própria investigação a respeito do 11 de Setembro, você, Sr. Bush, censurou 28 páginas relativas ao papel dos sauditas no ataque?
Eu gostaria de lançar uma hipótese aqui: e se o 11 de Setembro não foi um ataque "terrorista", mas um ataque militar contra os Estados Unidos? George, aparentemente você já foi piloto uma vez - o quanto é difícil acertar um prédio de cinco andares a mais de 800 quilômetros por hora? O Pentágono só tem cinco andares. A 800 quilômetros por hora, se os pilotos se desviassem um fiozinho de cabelo, cairiam dentro do rio. Você não ganha toda esta habilidade aprendendo a voar jumbos num vídeo-game em alguma escola de quinta categoria no Arizona. Você aprende isso na Força Aérea. Na Força Aérea de alguém.
A Força Aérea saudita?
E se eles não fossem uns terroristas doidões, mas pilotos militares que se voluntariaram para uma missão suicida? E se fizeram isso sob os auspícios do governo saudita ou de certos membros descontentes da família real saudita? A Casa de Saud, de acordo com o livro de Robert Baer, Sleeping With The Devil, está cheia deles. Então, algumas facções dentro da família real saudita executaram o ataque de 11 de Setembro? Estes pilotos foram treinados pelos sauditas? Por que você está tão ocupado protegendo os sauditas, quando deveria estar nos protegendo?
4. Por que você permitiu que um jato particular saudita voasse pelos EUA nos dias após o 11 de Setembro, recolhesse membros da família Bin Laden e os retirasse do país sem uma investigação decente do FBI?
Jatos particulares, sob supervisão do governo saudita - e com sua aprovação - tiveram permissão para voar pelos céus da América, quando viajar por via aérea estava proibido, recolher 24 membros da família Bin Laden e levá-los a um "ponto de encontro secreto no Texas". Eles então voaram para Washington e daí para Boston. Finalmente, em 18 de setembro, todos eles voaram para Paris, fora do alcance de agentes norte-americanos. Eles nunca passaram por nenhum interrogatório sério. Isto é extremamente bizarro. Seria possível que ao menos um dos 24 Bin Laden hipoteticamente soubesse de alguma coisa?
Enquanto milhares de pessoas estavam ilhadas e não podiam voar, se você pudesse provar que era num parente próximo do maior genocida na história dos EUA, ganhava uma viagem grátis para a louca Paris!
Por que, Sr. Bush, foi permitido que isto acontecesse?
5. Por que você protege os direitos garantidos pela Segunda Emenda a possíveis terroristas?
Sr. Bush, nos dias seguintes ao 11 de Setembro, o FBI começou uma investigação para ver se alguns dos 186 "suspeitos" que os federais prenderam nos primeiros cinco dias depois do ataque haviam comprado armas nos meses anteriores ao 11 de Setembro [dois haviam]. Quando seu procurador-geral, John Aschcroft, ouviu sobre isso, ele imediatamente cancelou a busca. Ele disse ao FBI que as fichas não poderiam ser usadas para uma pesquisa como esta e que estes arquivos só poderiam ser usados na hora da compra de uma arma.
Sr. Bush, você só pode estar brincando! A sua administração é mesmo tão louca por armas e tão comprometida com a Associação Nacional de Armas [National Rifle Association]? Eu realmente adoro a maneira como você arrebanhou centenas de pessoas, catando-as nas ruas sem aviso, atirando-as em prisões, sem contato com advogados ou família e então enviou a maioria para fora do país por meras violações da Lei de Imigração.
Você pode abolir seu direito de proteção contra busca e apreensão ilegal garantido pela Quarta Emenda, o direito a um julgamento aberto e tendo seus pares como júri e o direito de aconselhamento, garantido a eles pela Sexta Emenda, ou o direito à liberdade de expressão, reunião, dissensão e de praticar sua religião garantida pela Primeira Emenda. Você acredita que tem o direito de acabar com todos estes direitos, mas quando chega ao direito de possuir um AK-47, garantido pela Segunda Emenda, - Oh, não! Isso eles podem ter! - e você defende seu direito de tê-lo.
Quem, Sr. Bush, está realmente ajudando os terroristas aqui?
6. Você sabia que, enquanto você era governador, o Talibã viajou para o Texas, para se encontrar com seus amigos das companhias de gás e petróleo?
De acordo com a BBC, o Talibã veio ao Texas enquanto você era governador, para se reunir com a Unocal, a enorme empresa de petróleo e energia, e discutir o projeto da companhia de construir uma tubulação de gás natural que iria do Turcomenistão até o Paquistão, passando pelas áreas controladas pelo Talibã no Afeganistão.
Sr. Bush, o que é isso?
A frase "Houston, temos um problema" aparentemente nunca passou por sua cabeça, mesmo que o Talibã fosse o regime fundamentalista mais repressor do planeta. Que papel exatamente você desempenhou nos encontros da Unocal com o Talibã?
De acordo com vários relatos, representantes de sua administração se encontraram com o Talibã ou levaram mensagens para eles durante o verão de 2001. Que mensagens eram estas, Sr. Bush? Você estava discutindo a oferta deles de entregar Bin Laden? Você os estava ameaçando com o uso da força? Você estava falando com eles sobre um gasoduto?
7. O que significava exatamente a expressão em seu rosto naquela sala de aula da Flórida na manhã do 11 de Setembro, quando seu assessor lhe disse "a América está sob ataque"?
Na manhã de 11 de Setembro, você deu uma corridinha em um campo de golfe e então se dirigiu à escola primária Booker, na Flórida, para ler para as criancinhas. Você chegou à escola depois de o primeiro avião bater na torre norte em Nova York. Você entrou na sala de aula por volta das 9h e o segundo avião atingiu a torre sul às 9h03. Apenas alguns minutos depois, enquanto você estava na frente dos alunos, seu assessor-chefe, Andrew Card, entrou na sala e sussurrou em seu ouvido. Card estava aparentemente contando a você sobre o segundo avião e sobre nós estarmos "sob ataque".
E foi este o exato momento em que seu olhar ficou distante e vidrado, não ainda uma expressão inerte, mas parcialmente paralisada. Nenhuma emoção foi exibida. E então... você apenas ficou lá sentado. Você ficou lá sentado por mais sete minutos ou algo assim sem fazer nada.
George, no que você estava pensando? O que significava aquela expressão?
Você estava pensando que deveria ter levado mais a sério os relatórios enviados pela CIA no mês anterior? Haviam lhe dito que a Al-Qaeda planejava ataques contra os Estados Unidos e que possivelmente seriam utilizados aviões.
Ou você estava cagado de medo?
Ou talvez você estivesse apenas pensando "Eu não queria este cargo! Este trabalho devia ser do Jeb; ele era o escolhido! Por que eu, papai?"
Ou... talvez, apenas talvez, você estivesse pensando nos seus amigos sauditas, lá sentado naquela cadeira na sala de aula - tanto na família real quanto nos Bin Laden. Pessoas que você conhecia muito bem e que poderiam estar pensando em fazer bobagens. Será que surgiriam perguntas? Emergiriam suspeitas? Os democratas teriam a coragem de levantar o passado de sua família com essas pessoas [não, não se preocupe, sem chance!]? A verdade viria à tona algum dia?
E já que estamos aqui...
Cuidado - multimilionários à solta
Eu sempre achei interessante que o assassinato em massa do 11 de Setembro tenha sido cometido por um multimilionário. Nós sempre dizemos que foi obra de um "terrorista", ou um de "fundamentalista islâmico" ou de um "árabe", mas nunca definimos Osama por seu título de direito: multimilionário. Por que nunca lemos uma manchete dizendo "3 mil mortos por multimilionário"? Seria uma manchete correta, não seria?
Osama Bin Laden tem ativos totalizando ao menos US$ 30 milhões; ele é um multimilionário. Então por que não o vemos desta maneira, como um rico pirado que mata pessoas? Por que este não se tornou um critério para a investigação de terroristas em potencial? Em vez de prender árabes suspeitos, por que não dizemos "oh meu Deus, um multimilionário matou 3 mil pessoas! Prendam os multimilionários! Atirem-nos na cadeia! Sem acusações! Sem julgamentos! Deportem os milionários!"
Entregando a chave de Detroit para Saddam
Em Las Vegas, um veículo blindado foi usado para esmagar iogurte francês, pão francês, garrafas de vinho francês, Perrier, vodca Grey Goose, fotos de Chirac, um guia de Paris e, melhor de tudo, fotocópias da bandeira francesa. A França era o país perfeito para implicar. Se você é uma companhia de televisão a cabo, por que gastar tempo de reportagem precioso em investigações sobre se o Iraque realmente tem armas de destruição em massa, se você pode fazer uma matéria a respeito do quanto os franceses são podres?
A Fox News saiu na frente na missão de ligar Chirac a Saddam Hussein, mostrando vídeos antigos dos dois juntos. Não importava que a reunião tivesse ocorrido nos anos 70. Mas a mídia não se incomodou em veicular o vídeo de quando Saddam foi presenteado com uma chave da cidade de Detroit, ou então o filme do início dos anos 80 com Donald Rumsfeld visitando Saddam em Bagdá, para discutir o progresso da guerra Irã-Iraque. O vídeo de Rumsfeld abraçando Saddam aparentemente não servia para ser veiculado continuamente. Ou mesmo uma só vez. Ok, talvez uma vez. No show da Oprah.
Michael Moore
THE GUARDIAN – 6 de outubro de 2003
Trecho do novo livro do documentarista Michael Moore, Dude, Where's My Country?
Tradução por Marcelo Träsel


"Entreguem o matador"
Pepe Escobar
5/5/2011, Pepe Escobar, Asia Times Online
Show the shooter
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Entreguem os SEALs [1] heróis que mandaram duas balas em Osama bin Laden – duas balas na cabeça, para garantir o serviço –, depois de uma “troca de tiros” da qual não há virtualmente sinal algum na esquálida “mansão” em Abbottabad.
Exibam o maior herói da história moderna, o homem que matou o inimigo público n.1 dos EUA, o mais cruel terrorista da história do universo, o “cérebro” que concebeu o mais espetacular ataque de todos os tempos contra os EUA.
Desfilem o homem pelo Marco Zero e pelo centro de Manhattan, deem-lhe uma tira de medalhas Purple Hearts e corações de todas as cores do arco-íris, deem-lhe sociedade no Goldman Sachs, mostrem o homem no programa da Oprah, de Rush e Anderson Cooper, introduzam-no ao Hall da Fama do Rock'n Roll.
Se você é Republicano, lance o homem candidato a presidente; diferente de Donald (aquele que carrega uma raposa no cocuruto) Trump ou de Sarah (“Da minha varanda vejo o Paquistão”) Palin, o SEAL herói, ele sim, reduziria o presidente Barack Obama a dano colateral. Ou, no mínimo, coroem o cara secretário de defesa – supremo propagandista de “assassinatos seletivos” como instrumento insubstituível de diplomacia.
Segunda tomada
Volte a fita para a cena de suspense-novelão em toda sua glória de Alta Definição – transmitida ao vivo para a Sala de Situação em Washington.
O herói, blindado dos pés à cabeça, ereto, face a face com o verdadeiro Osama bin Laden desarmado, arrancado da cama, encurralado num cubículo. Não há fuga possível: toda casa está cercada, hiper cercada, blindada. Por esse momento, os EUA sonham desde 11 de setembro de 2001.
Cem, mil vezes, a cena foi ensaiada, durante a perpétua “guerra ao terror”. O procedimento: imobilizar o suspeito, meter-lhe a cabeça num saco, arrastá-lo para um helicóptero (havia três do lado de fora; o quarto já se espatifara), dali diretamente para uma base militar, e da base, em macacão cor-de-laranja, direto para Guantánamo.
Agora o herói encara o homem que criou, que inventou, que pariu a “guerra ao terror”. E o que faz o herói? Nenhum tiro em braço, perna, joelho. Nem granada de gás paralisante jogada com técnica. Nada de “entrega extraordinária” de prisioneiro – e para que serve tudo isso, se nada disso se usou para “conter” o inimigo público n.1?
O herói, pá-pá, manda dois tiros no fugitivo – codinome “Gerônimo” (herói de uma tribo dos EUA que desafiou o império inglês; e mais uma vez humilharam e degradaram os indígenas nativos dos EUA). Assim terminou a maior, mais cara, mais longa caçada humana que o mundo jamais viu: não num big bang, mas em dois balaços. Os bons reconhecem os maus pelo fedor. Dirty Harry fareja os punks.
E assim, ninguém jamais saberá coisa alguma. Como “Geronimo” foi patrimônio ativo da CIA – e como essa “amizade” progrediu ao longo dos anos 1980s. Como o homem escapou de Tora Bora – ou como o Pentágono o deixou escapar. Como viveu no Paquistão todos esses anos, sem jamais ser perturbado. Porque “nos odiou” tanto.
Mas o que ninguém jamais saberá é como aquele “cérebro” concebeu o 11/9. Que ramo – ou ramos, ou indivíduos – da rede de inteligência dos EUA sabia de tudo desde antes e deixou que acontecesse. Como aconteceu de um grupinho de árabes com canivetes e habilidade menos que zero para voar jatos não só os voaram como os converteram em mísseis e destruíram as Torres Gêmeas (mais o prédio 7) e uma fatia gorda do prédio do Pentágono?
Quem, no planeta, se atreveria a desgrudar da televisão, meses a fio, no mais impressionante julgamento de todos os tempos?
Há razões para desconfiar que as entidades – o sistema – que montaram a cena-golpe-detonação não gostariam muito, se acontecesse o que teria de acontecer e aconteceria, se Osama bin Laden fosse julgado. Então... o veredito é “culpado”, nos termos da acusação (que não houve). E execute-se o homem, duas balas na cabeça. Nunca foi mais fácil naufragar num lodaçal e chamar o naufrágio de “justiça”.
Quanto ao resto de nós, fomos deixados, para sempre, no escuro.
Nota de tradução
[1] Soldados de equipes especiais da Marinha dos EUA; é a sigla, em inglês, de “Sea, Air and Land”.


Alguns links mais para quem tiver paciência:

Leia no Blog do Mello: http://blogdomello.blogspot.com/



Objetivo de Obama nunca foi prender Bin Laden. Matá-lo era compromisso de campanha. Confira
Ao lançar o corpo de Bin Laden ao mar Estados Unidos tornaram impossível saber quando ele morreu
Osama Bin Laden morreu em dezembro de 2001 de infecção pulmonar, segundo a Fox News
Osama Bin Laden 'vivo' sustentou Bush no poder. 'Morto agora' pode reeleger Obama. Mas, e se ele já estivesse morto?
Estados Unidos devem ao mundo prova da morte de Osama Bin Laden
‘EUA financiaram Bin Laden e a criação da Al Qaeda’ - Len Downie, editor executivo do Washington Post
Imagem de Bin Laden morto mostrada pela Globonews é falsa e já está na rede desde 2010
Para quem aguarda imagens de Bin Laden morto como prova: CIA já 'filmou' Saddan gay e Bin Laden enchendo a cara.


Bin Laden está morto já faz tempo
Leia em: http://www.inacreditavel.com.br/novo/mostrar_artigo.asp?id=517


leia no www.outraspalavras.net


Como os Estados Unidos criaram Bin Laden
A história quase secreta da aliança entre Washington e o homem que ordenaria os ataques de 11 de setembro. Por Antonio Martins
Robert Fisk: "morte do ícone da Al Qaeda é irrelevante"
Para o jornalista, o que importa hoje, no mundo árabe, são os levantes populares laicos contra os ditadores

Morte de Bin Laden abre acalorado debate no Paquistão
No Paquistão, abriu-se um acalorado debate e seu establishment político-militar pode ser condenado por uma razão ou outra. Se admitem que sabiam da operação dos EUA, se arriscam à condenação em suas próprias fileiras. Há um grande dissenso entre os jovens oficiais e soldados, descontentes com as missões nas fronteiras, onde são obrigados a tomar como alvos seu próprio povo. Artigo de Tariq Ali.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17770&boletim_id=905&componente_id=14684




A execução de Bin Laden: uma vitória de Pirro
A “guerra contra o terror” não possui um inimigo homogêneo representado na figura de Bin Laden como quer fazer-nos acreditar os EUA. Existem diversos grupos que, por compartilharem alguns interesses comuns, estabeleceram alianças estratégicas. Como muitos já alertaram, não é possível carimbar como terror islâmico tudo aquilo que contesta a ocupação militar dos EUA naquela região. Quem será o próximo monstro a ser executado em nome da humanidade? O artigo é de Reginaldo Nasser e Marina Mattar Nasser.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17759&boletim_id=903&componente_id=14651




Última aventura do Super Homem
Para entender por que agora, justamente agora, nesta data entre todas as outras possíveis, decidiu-se realizar o “justiçamento” de Bin Laden, talvez seja necessário vincular sua morte repentina e desejada com dois acontecimentos aparentemente desconectados que surgiram na semana passada: o anúncio do Super Homem (na sua história n° 900) de que pensava ir às Nações Unidas para renunciar à cidadania norteamericana, e a divulgação pelo presidente Barack Obama da certidão de nascimento que comprova sua nacionalidade estadunidense. Terá sido uma suprema coincidência?
O artigo é de Ariel Dorfman.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17758&boletim_id=903&componente_id=14652




E para os que apreciam as teorias da conspiração, nada melhor que rever estes vídeos, que objetivam desacreditar a versão oficial do que teria ocorrido no 11 de setembro.
http://youtu.be/PSOEpqYttB8


http://youtu.be/HBD3SZqEHGY


http://youtu.be/rogqXMauBGM


http://youtu.be/g1t2LfHOm4g


http://youtu.be/MLeRYkbPtFA




Bin Laden está morto. Missão cumprida?
Antonio Luiz M. C. Costa
http://www.cartacapital.com.br/internacional/bin-laden-esta-morto-missao-cumprida



Bin Laden foi assassinado depois de captura, afirma filha do terrorista
Redação Carta Capital
http://www.cartacapital.com.br/internacional/bin-laden-foi-assassinado-depois-de-captura-segundo-filha-do-terrorista




Paquistão diz ter avisado EUA sobre Bin Laden e desmonta versão da CIA
http://maierovitch.blog.terra.com.br/2011/05/03/paquistao-diz-ter-avisado-eua-sobre-bin-laden-e-desmonta-versao-da-cia/




quinta-feira, 5 de maio de 2011

Numero 276





Depois de uma ausência provocada por férias e também por problemas de saúde, o Boletim retorna hoje.
Claro que nesses 20 dias centenas de matérias apareceram e eu não poderia publicar nem indicar todas de uma vez só.
Então selecionei aquelas voltadas para a educação, para este número, e deixei as relativas à política internacional para o próximo número.










Senado aprova ampliação da jornada escolar
O projeto deve passar, ainda, pela Câmara Federal e pela sanção da Presidência da República. Mas o Senado aprovou a ampliação das 800 horas anuais (definidas na LDBEn) para 960 horas. Também aprovou a exigência de 75% para 80% de frequência dos alunos do ensino básico para serem aprovados (na prática, significa que os alunos terão que assistir um mínimo de 768 horas/ano de atividades educativas.
Esta decisão acaba por dar mais um passo na direção da implantação nacional da escola em tempo integral. E pode superar esta equivocada noção que língua portuguesa e matemática são básicas para a formação dos alunos. Este pragmatismo reducionista da inteligência humana (e seu desenvolvimento) não resistirá a uma carga horária ampliada. Felizmente, música, esporte, atividades sociais, teatro, xadrez, entre outras, terão que ser incluídas na programação curricular.
Só espero que pensem em tempo de planejamento coletivo. Professor não pode ser contratado para apenas dar aulas. Precisa pesquisas (seus alunos e suas famílias, inclusive) e formular ações integradas entre várias disciplinas
.
www.rudaricci.blogspot.com





Educadores contestam artigo da "Veja"

Sob o título “Que bom que os Sindicatos de Trabalhadores da Educação preocupam os sacerdotes da privataria e seus braços ideológicos!”, vários educadores divulgaram texto com críticas ao artigo de Gustavo Ioschpe (“Hora de Peitar os Sindicatos de Professores”), veiculado no site da revista “Veja”.

Por Gaudêncio Frigotto, Zacarias Gama, Eveline Algebaile, Vânia Cardoso da Mota e Hélder Molina

Vários meios de comunicação utilizam-se de seu poder unilateral para realizar ataques truculentos a quem ousa contrariar seus interesses. O artigo de Gustavo Ioschpe, publicado na edição de 12 de abril de 2011 da Revista Veja (campeã disparada do pensamento ultraconservador no Brasil), não apenas confirma a opção deliberada da Revista em atuar como agência de desinformação – trafegando interesses privados mal disfarçados de interesse de todos –, como mostra o exercício dessa opção pela sua mais degradada face, cujo nível, deploravelmente baixo, começa pelo título – “hora de peitar os sindicatos”. Com a arrogância que o caracteriza como aprendiz de escriba, desde o início de seu texto, o autor considera patrulha ideológica qualquer discordância em relação às suas parvoíces.

Na década de 1960, Pier Paolo Pasolini escrevia que o fascismo arranhou a Itália, mas o monopólio da mídia a arruinou. Cinquenta anos depois, a história lhe deu inteira razão. O mesmo poderia ser dito a respeito das ditaduras e reiterados golpes que violentaram vidas, saquearam o Brasil, enquanto o monopólio privado da mídia o arruinava e o arruína. Com efeito, os barões da mídia, ao mesmo tempo em que esbravejam pela liberdade de imprensa, usam todo o seu poder para impedir qualquer medida de regulação que contrarie seus interesses, como no caso exemplar da sua oposição à regulamentação da profissão de jornalista. Os áulicos e acólitos dessa corte fazem-lhe coro.

O que trafega nessa grande mídia, no mais das vezes, são artigos de prepostos da privataria, cheios de clichês adornados de cientificismo para desqualificar, criminalizar e jogar a sociedade contra os movimentos sociais defensores dos direitos que lhes são usurpados, especialmente contra os sindicatos que, num contexto de relações de superexploração e intensificação do trabalho, lutam para resguardar minimamente os interesses dos trabalhadores.

Os artigos do senhor Gustavo Ioschpe costumam ser exemplos constrangedores dessa “vocação”. Os argumentos que utiliza no artigo recentemente publicado impressionam, seja pela tamanha tacanhez e analfabetismo cívico e social, seja pelo descomunal cinismo diante de uma categoria com os maiores índices de doenças provenientes da superintensificação das condições precárias de trabalho às quais se submete.

Um dos argumentos fundamentais de Ioschpe é explicitado na seguinte afirmação:

Cada vez mais a pesquisa demonstra que aquilo que é bom para o aluno na verdade faz com que o professor tenha que trabalhar mais, passar mais dever de casa, mais testes, ocupar de forma mais criativa o tempo de sala de aula, aprofundar-se no assunto que leciona. E aquilo que é bom para o professor – aulas mais curtas, maior salário, mais férias, maior estabilidade no emprego para montar seu plano de aula e faltar ao trabalho quando for necessário - é irrelevante ou até maléfico aos alunos.

A partir desse raciocínio de lógica formal, feito às canhas, tira duas conclusões bizarras. A primeira refere-se à atribuição do poder dos sindicatos ao seu suposto conflito de interesses com “a sociedade representada por seus filhos/alunos”: “É por haver esse potencial conflito de interesses entre a sociedade representada por seus filhos/alunos e os professores e funcionários da educação que o papel do sindicato vem ganhando importância e que os sindicatos são tão ativos (...)”.

A segunda, linearmente vinculada à anterior, tenta estabelecer a existência de uma nefasta influência dos sindicatos sobre o desempenho dos alunos. Nesse caso, apoia-se em pesquisa do alemão Ludger Wossmann, fazendo um empobrecido recorte das suas conclusões, de modo a lhe permitir afirmar que “naquelas escolas em que os sindicatos têm forte impacto na determinação do currículo os alunos têm desempenho significativamente pior”.

Os signatários deste breve texto analisam, há mais de dois anos, a agenda de trabalho de quarenta e duas entidades sindicais afiladas à Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e acompanham ou atuam como afiliados nas ações do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior - ANDES-SN. O que extraímos dessas agendas de ação dos sindicatos é, em tudo, contrário às delirantes e deletérias conclusões do articulista.

Em vez de citar pesquisas de segunda mão, para mostrar erudição e cientificidade em seu argumento, deveria apreender o que demanda uma análise efetivamente científica da realidade. Isso implicaria que de fato pesquisasse sobre a ação sindical docente e sobre os processos econômico-sociais e as políticas públicas com os quais se confronta e dialoga e, a partir dos quais, se constitui. Não imaginamos que um filho de banqueiros ignore que os bancos, os industriais, os latifundiários, a grande mídia têm suas federações ou organizações que fazem lobbies para ter as benesses do fundo público.

Um efetivo envolvimento com as pesquisas e com os processos sociais permitiria ao autor perceber onde se situam os verdadeiros antagonismos e “descobrir” que os sindicatos não se criaram puxando-se de um atoleiro pelos cabelos – à moda do Barão de Münchhausen –, autoinventando-se, muito menos confrontando-se com os alunos e seus pais.

As análises que não levam isso em conta, que se inventam puxando-se pelos cabelos a partir dos atoleiros dos próprios interesses, não conseguem apreender minimamente os sentidos dessa realidade e resultam na sequência constrangedora de banalidades e de afirmações levianas como as expostas por Ioschpe.

Uma das mais gritantes é relativa ao entendimento do autor sobre quem representa a sociedade no processo educativo. É forçoso lembrar ao douto analista que os professores, a direção da escola e os sindicatos também pertencem à sociedade e não são filhos de banqueiros nem se locupletam com vantagens provenientes dos donos do poder.

Ademais, valeria ao articulista inscrever-se num curso de história social, política e econômica para aprender uma elementar lição: o sindicato faz parte do que define a legalidade formal de uma sociedade capitalista, mas o ultraconservadorismo da revista na qual escreve e com a qual se identifica já não o reconhece, em tempos de vingança do capital contra os trabalhadores.

Cabe ressaltar que todos os trocadilhos e as afirmações enfáticas produzidos pelo articulista não conseguem encobrir os interesses privados que defende e que afetam destrutivamente o sentido e o direito da população à educação básica pública, universal, gratuita, laica e unitária.

Ao contrário do que afirma a respeito da influência dos sindicatos nos currículos, o que está mediocrizando a educação básica pública é a ingerência de institutos privados, bancos e financistas do agronegócio, que infestam os conteúdos escolares com cartilhas que empobrecem o processo de formação humana, impregnando-o com o discurso único do mercado – o da educação de empreendedores. E que, muitas vezes, com a anuência de grande parte das administrações públicas, retiram do professor a autoridade e a autonomia sobre o que ensinar e como ensinar dentro do projeto pedagógico que, por direito, eles constroem, coletivamente, a partir de sua realidade.

O que o Sr. Ioschpe não mostra, descaradamente, é que esses institutos privados não buscam a educação pública de qualidade e nem atender o interesse dos pais e alunos, mas lucrar com a venda de pacotes de ensino, de metodologias pasteurizadas e de assessorias.

Por fim, é de um cinismo e desfaçatez vergonhosa a caricatura que o articulista faz da luta docente por condições de trabalho e salário dignos. Caberia perguntar se o douto senhor estaria tranquilo com um salário-base de R$ 1.487,97, por quarenta horas semanais, para lecionar em até 10 turmas de cinquenta jovens. O desafio é: em vez de “peitar os sindicatos”, convide a sua turma para trabalhar 40 horas e acumular essa “fortuna” de salário básico. Ou, se preferir fazer um pouco mais, trabalhar em três turnos e em escolas diferentes. Provavelmente, esse piso para os docentes tem um valor bem menor que o que recebe o articulista para desqualificar e criminalizar, irresponsavelmente, uma instituição social que representa a maior parcela de trabalhadores no mundo.

Mas a preocupação do articulista e da revista que o acolhe pode ir aumentando, porque, quando o cinismo e a desfaçatez vão além da conta, ajudam aqueles que ainda não estão sindicalizados a entender que devem fazê-lo o mais rápido possível.

Gaudêncio Frigotto, Zacarias Gama e Eveline Algebaile são professores do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas e Formação Humana da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (PPFH/UERJ).

Vânia Cardoso da Mota é Professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro e Colaboradora do PPFH/UERJ.

Hélder Molina é educador, assessor sindical e doutorando do PPFH/UERJ.






O saber além dos livros da Educação de São Paulo.
Em 10 dezembro passado, em documento publicado na WEB e assinado por 45 editores, a LIBRE divulgou esta carta-denúncia: a compra de 8 milhões de livros pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (SEE-SP), via Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), para o projeto Apoio ao Saber, que desde seu início usou quase R$100 milhões. Tudo isso sem licitações públicas ou mesmo divulgação ampla no mercado dos editores.

A LIBRE é a Liga Brasileira de Editoras, uma rede de editoras independentes com dez mil títulos em catálogo que, entre outros aspectos, tem por missão preservar a bibliodiversidade no mercado editorial brasileiro. A carta-denúncia foi encaminhada diretamente ao secretário de Educação, Paulo Renato, e ao presidente da FDE, Fábio Bonini, questionando ainda os métodos de escolha dos títulos e suas quantidades e solicitando uma reunião para tratar do assunto.

Em 23 de dezembro, o NaMariaNews recebeu essa informação por e-mail do Marco Aurélio Mello. No mesmo dia, Luis Nassif publicou o texto.

O pedido de esclarecimentos da LIBRE é um tanto tardio, já que os Srs. Paulo Renato e Fábio Bonini estão deixando seus cargos devido mudança de governo. Porém, as colocações são justas. Por isso, o NaMariaNews foi atrás de mais informações sobre o projeto Apoio ao Saber, que doa kits com três livros para alunos e professores da rede pública de ensino.

Não foi uma caçada fácil. Há grande diferença entre o que a assessoria de imprensa da SEE-SP publica em seus releases e o que ocorre nos bastidores, nas colunas do Diário Oficial de SP. Desde o dia 23 estamos percorrendo títulos de obras, números de processos, combinações de inúmeras palavras-chave, sites de editoras, censos escolares etc., para desmontar a trama e entender o processo.

Agora você poderá ver um pouco além do correto questionamento da LIBRE, e do que se trata o inovador projeto de incentivo à leitura da Secretaria de Educação (DO de SP - 25/novembro/2008), intitulado Apoio ao Saber, e seus 22 milhões de livros, ao custo de quase R$100 milhões - ou mais.
Parte das obras citadas pela LIBRE está na imagem acima. Elas foram compradas graças ao pregão presencial 15/0837/08/05, lançado em 27/junho/2008, cujo edital pode ser lido aqui. Foram as obras de domínio público da lista que entraram nessa licitação, a única realizada desde o início do Apoio ao Saber, em 2008. As duas empresas vencedoras:
• Edições Escala Educacional Ltda, com 7 dos 8 itens, por R$2.423.456,81
• Global Editora e Distribuidora Ltda, por R$224.992,32
• Total: R$2.648.449,13
Todas as outras compras de livros foram feitas por inexigibilidade de licitação, já que são obras exclusivas, o que faz com que seja "permitida" tal transação diretamente com as empresa detentoras dos títulos.

O interessante é que, pelo Diário Oficial, não se sabe o motivo das compras naquelas quantidades. Podemos supor que tivesse sido pelo número de alunos matriculados em cada uma das séries. Mas, se dermos uma olhada no Censo Escolar, os dados não batem em qualquer ano dessas compras. Talvez a SEE-SP tenha usado outros critérios, mas quais?
Alguns desses livros foram motivos de controversas e reclamações por "inadequação às séries e idades", por conter "linguagem chula, citações sexuais explícitas" e por aí vai. Talvez os mais famosos dessa leva tenham sido o Memórias Inventadas, de Manoel de Barros (que depois do furdunço a SEE-SP disse ter "mandado recolher", só não explicando o método nem o que fizeram com os exemplares pagos com R$2.315.440,00, já que os livros estavam nas casas dos estudantes), e Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século - especificamente o texto de Inácio de Loyola Brandão: "Obscenidades para uma dona-de-casa" (confira aqui). Mas também ocorreu reclamação junto à Justiça, "por, em tese, passagem pornográfica" na obra Capitães de Areia, de Jorge Amado, tendo depois seu "arquivamento homologado".

Sobre os critérios de escolha das obras, a Secretaria de Educação explica:
A seleção dos títulos é realizada por uma equipe técnica da Cenp (Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas), da Secretaria de Estado da Educação, baseada em critérios como o desenvolvimento do autoconhecimento, do senso estético, da sensibilidade social, da responsabilidade para com a democracia e do compromisso para com o patrimônio histórico, cultural e ambiental. Também são levadas em consideração a relevância da obra e a qualidade da edição. Os títulos devem dar suporte aos conteúdos da matriz curricular, com objetivo de elevar a qualidade do ensino público, bem como contribuir para a ampliação da cultura literária geral.
No Diário Oficial encontramos, em 10/agosto/2010, a contratação de um profissional para serviços especializados para Avaliação e seleção de Obras Literárias para comporem Kits do Projeto Apoio ao Saber - destinado a alunos e professores, pela quantia de R$6.650,00 (contrato 15/00847/10/04).

O que esqueceram de comentar nos episódios, foi o fato de o incrível educador e secretário estadual de Educação, Sr. Paulo Renato Costa Souza, ser unha e carne com a Editora Objetiva, pertencente ao Grupo Santillana. Ele também faz parte do Conselho Consultivo da Fundação Santillana no Brasil. A Editora Objetiva recebeu R$13.846.799,57 pelos 2.067.755 exemplares fornecidos à SEE-SP para o Apoio ao Saber. Também esqueceram de pensar em loteamento editorial em nome de inovador incentivo à leitura. Isso seria apenas um começo razoável de conversas "pedagógicas", mas também reforça o "espanto" expresso pela LIBRE.

Professores não ficaram de fora. Para eles criaram, em 2010, o projeto Leituras do Professor, para validar a entrega dos kits de livros aos docentes.
• Pela primeira vez, 243 mil professores da rede estadual também ganharão livros para levar para casa. São 729 mil exemplares, que compreendem um investimento de R$ 3,8 milhões dentro projeto “Leituras do Professor”. Assim como os estudantes, os docentes receberão um kit contendo três títulos, sendo um de poesia, um de teatro e um de narrativa. “Dessa forma, nossos professores terão acesso a obras relevantes, necessárias ao aprimoramento pessoal e ao exercício de suas funções”, observa o secretário. (Fonte SEE-SP)
O Tribunal de Contas de São Paulo, ainda de acordo com o Diário Oficial, julgou perfeitamente legais todas as negociações assinadas pelo Sr. Fábio Bonini Simões de Lima (presidente da FDE), Sra. Cláudia Rosenberg Aratangy (diretora de Projetos Especiais) e o Sr. Inácio Antônio Ovigli (supervisor da Diretoria de Projetos Especiais).
Ler mais: http://namarianews.blogspot.com/#ixzz1KlGr4uvR






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Data: 07 a 10 de novembro de 2011
Local: Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)