quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Numero 251


Bem, leitores e leitoras, as eleições se foram, agora só daqui a dois anos. Dá tempo de respirar...
Mas alguma coisa ainda resta por falar está aqui neste boletim. Artigos falando daquilo que não foi dito na campanha, artigos abordando a personalidade de candidatos, enfim, alguns artigos para encerrar o assunto, que tomou conta deste boletim durante o mês passado e motivou até amáveis críticas de uma leitora fiel.
E já começamos a falar de outras coisas, como a greve francesa, a guerra de quarta geração... e temos noticias e campanhas. Aproveitem!






Por volta de 1980, eu fui morar num apartamento comprado por intermédio do BNH (lembram dele?), no bairro Serra. Lá, minhas filhas iniciaram uma amizade com uma vizinha, Carolina. Menina simpaticíssima, caladinha, mas eternamente sorridente.
Enquanto moramos lá, elas foram amigas, assim como éramos amigos dos pais dela.
Depois, em meados da década de 90 nós nos mudamos e assim, o contato diário desapareceu.
Aquela menina cresceu, estudou, formou-se Psicóloga e, de repente, descobrimos que ela estava morando na França, fazendo Mestrado. E mais, que ela mantém um blog com interessantíssimas observações.
Semana passada ela esteve em BH, fez questão de nos fazer uma visita. Aproveitei e pedi a ela para reproduzir aqui um artigo que ela escreveu sobre a Greve dos franceses.
Ai está o artigo, e com o link para quem quiser conhecer o blog da Carol.

A França, a Greve
Quando eu cheguei aqui, ouvi falar que francês ama 4 coisas: pão, queijo, vinho e greve. Até a semana passada, só havia compartilhado dos três primeiro ítens da lista. Não que não tenha tido greves durante o ano, mas elas não haviam me atingido até então, não tinham me feito andar muitos kilômetros à pé para voltar para casa.

A França vive a iminência de uma Greve Geral. Os movimentos sindicais franceses são fortes, os estudantis, também. À eles são somadas as vozes da população, que confirmam, em coro, que a união faz a força.

Domingo, apesar do frio (parece que pulamos o outono e caímos diretamente no inverno), o barulho da multidão que estava nas ruas me fez deixar os livros de lado e sair de casa. E ainda bem que o fiz. A um quarteirão da minha casa, deparei-me com estas imagens:



(reproduzo apenas uma, mas quem quiser ver as outras é só acessar o blog da Carol)


Fiquei, sinceramente, emocionada. A população saindo de casa para protestar, para lutar por seus direitos. Famílias na rua, num frio de 8 graus, para dizer:

"Não mexam na minha aposentadoria!"
"Deixem meu pai descansar! Eu pago por ele!"
"Nem reforma, nem emenda!"
"Mudança na Aposentadoria? INACEITÁVEL!"


A última vez que vivi algo parecido foi no início da minha adolescência. Faço parte da geração "cara pintada" que foi ao centro de Belo Horizonte dizer SIM ao Impeachment. Confesso que na época não tinha noção de que estava fazendo história. Mas foi tão boa a sensação!

Contudo, quase duas décadas se passaram. E eu, minha geração e a grande maioria da população nos acomodamos. Ficamos, nós, brasileiros, reclamando em frente à televisão, nas rodinhas de família, amigos mais íntimos, evitando muita polêmica, para não criar desafetos, e, quando muito, assim como eu, em frente ao computador.

Aqui, não. Aqui o pessoal está nas ruas. O clima anda tenso. Vozes em alto falantes convidam as pessoas para aderir a uma Greve Geral. Os estudantes estão na ativa, fazendo protestos e, na maioria das vezes, perdem o controle. Infelizmente, há depredação do material urbano e pedras e garrafas são lançadas contra os tiros de flashball e bombas de gás lacrimogênio.

Toda essa mobilização é para impedir a Reforma da Aposentadoria. Hoje em dia, a idade legal para se aposentar é 60 anos. Com a reforma, aconteceria um aumento anual progressivo da idade limite, o que faria com que, em 2018, as pessoas se aposentassem aos 62 anos. Eles estão lutando hoje, agora!

Razões para querer a reforma, o governo tem de sobra: a França é um país onde 1/3 da população tem mais de 50 anos. Entretanto, segundo os franceses, essa reforma não é a solução. Então, a população se une, faz a força e grita forte:

"NON!"

Ô gente, nem uma pontinha de inveja? Um incômodo? Uma vontade de mudar? A gente pode! Vamos?!

O blog da Carol é este aqui: http://carolsaletti.blogspot.com/







Enviado por Vania Facury. Achei muito consistente, particularmente a questão do vice-presidente. Por diversas vezes comentei com algumas pessoas, inclusive com motoristas de táxi que nem tinham idéia de quem eram os vices. Endosso tudo o que o Jânio de Freitas falou no último parágrafo.

JANIO DE FREITAS (Folha de São Paulo, 2/11/2010.

Do que foi dito, ou não


Se Dilma Rousseff falhar na Presidência, não será pela carência que mais lhe pespegaram indevidamente

AS RESSALVAS ainda persistentes ao preparo de Dilma Rousseff para tornar-se presidente -algumas, de evidente seriedade, a maioria com os mesmos odores exalados durante a campanha eleitoral- remetem a um precedente já integrado à história e a duas constatações bem à mão.

As semelhanças entre o tratamento opositor dado a Dilma Rousseff e a Michelle Bachelet, que neste ano passou a Presidência do Chile a Sebastián Piñera, chegam a parecer original e reimpressão. Médica e ex-ministra, na campanha e antes da posse Bachelet foi submetida à insistência de ressalvas e contestações à sua experiência administrativa, à capacidade de enfrentar os problemas econômicos que diziam avizinhar-se do Chile e ao traquejo para operar com as forças parlamentares. Era, lá, a antecipação de escritos e vozes do Brasil de hoje.

No Chile de tão forte direitismo, pesavam sobre Bachelet desconfianças de que sua Presidência teria as marcas das ideias socialistas com que era identificada e, de quebra, do ressentimento que lhe supunham: Bachelet também fora vítima da ditadura militar chilena. Lá, como cá.

Apesar de tantas semelhanças entre a ex-presidente e a eleita presidente, o passado de Michelle Bachelet nada prenuncia do futuro de Dilma Rousseff, mas nem por isso o registro é inútil: ao passar o governo, Michelle Bachelet vinha com 85% de aprovação, o maior índice já alcançado na América Latina. Justo tributo à sua Presidência de um país difícil.

Agora, as duas constatações. A primeira: todos os que apontaram falta de experiência administrativa em Dilma Rousseff -refrão que ecoou por mais de um ano- sabiam que ela chefiou o Gabinete Civil da Presidência desde a também notória demissão de José Dirceu, portanto, de 2005 a 2010. O Gabinete Civil é o centro nevrálgico da Presidência. Durante cinco anos, Dilma Rousseff esteve envolvida com todas as decisões administrativas da Presidência e, de algum modo, participou ou acompanhou as demais. É uma experiência de governo federal que nenhum outro candidato acumulou, nas eleições pós-ditadura e talvez também nas anteriores.

A experiência proporcionada por anos no Gabinete Civil não é garantia de alto desempenho no Gabinete Presidencial. Desde que a função seja exercida segundo o esperado, porém, não permite comparações, como conhecimento da administração federal, com anos no Ministério da Saúde, ou do Planejamento, ou outro ministério. Com prefeitura e com governo estadual, a comparação nem faz sentido, assim como ocorre à experiência de congressista. Se Dilma Rousseff falhar, não será pela carência que mais lhe pespegaram indevidamente.

Em complemento, o ato mais irresponsável de toda a sucessão presidencial foi dispensado de assédio pelo ímpeto das ressalvas e contestações. A existência de vice-presidente no sistema governamental é o reconhecimento de que o país está sujeito à falta imprevista do presidente. Há outras soluções possíveis, mas essa é a brasileira. E comprovou-se, para ficarmos na história recente, quatro vezes. Duas em apenas 20 anos de democracia entre a ditadura de Getúlio e a ditadura dos militares, com as posses dos vices Café Filho e João Goulart; e outras duas no atual regime, com José Sarney e Itamar Franco.

A escolha do vice em uma chapa presidencial ou governamental é, portanto, ato de extrema responsabilidade. Ou, pelo menos, de responsabilidade equivalente àquela de que o candidato principal se pretende portador. Mas o vice de José Serra deveria representar, a meu ver, o maior motivo de preocupação em todo o processo sucessório. Emplacado, como presença do DEM na chapa, sem que o candidato principal nem sequer soubesse de quem se tratava, Indio da Costa era um risco de calamidade na eventual ocorrência de um incidente impeditivo de José Serra, se eleito. Reconhecido como atrabiliário, violento, político recente, sem credenciais de talento especial ou maior competência, Indio da Costa -não por culpa sua- fez caber a José Serra o ato mais irresponsável e injustificável de toda a sucessão.
Sucessão, por sinal, que deixa muito a ser falado, de bom e, sobretudo, não.



Enviado por Beth Queijo. Apesar de discordar muito do autor do texto, em outros artigos que ele já publicou, tiro o chapéu para essa análise que ele fez. Considerei brilhante!
Indico o link, porque a matéria tem direitos autorais reservados.

Paulo Ghiraldelli Jr., filósofo, escritor e professor da UFRRJ

http://ghiraldelli.pro.br/2010/11/01/o-derrotado-tresloucado/






Da farsa à falta de idéias: o poder da mídia e cenas da desertificação da política brasileira

por WELLINGTON FONTES MENEZES

Em épocas eleitorais o cenário é a devastação do bom senso. Uma enxurrada de promessas cínicas e risíveis é ofertada aos olhares resignados dos consumidores e quando estão com o título eleitoral nas mãos, são chamados de “eleitores brasileiros”. Não causa mais espanto a eleição de tipos políticos esdrúxulos com estrondoso número de votos. Os partidos políticos, ou seja, estas agremiações que trabalham como entrepostos mercantis de um balcão de negócios políticos espúrios, arregimentam figuras bem conhecidas da mídia para “puxar” votos para sua legenda...

LEIA NA ÍNTEGRA: http://espacoacademico.wordpress.com/2010/10/27/da-farsa-a-falta-de-ideias-o-poder-da-midia-e-cenas-da-desertificacao-da-politica-brasileira/





Enviado pelo Guilherme Souto

fonte: www.viomundo.com.br
8 de outubro de 2010 às 1:16
Guerra de Quarta Geração: “Aniquilar, controlar ou assimilar o inimigo”
Quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Guerra de quarta geração

Cuidado, seu cérebro está sendo bombardeado…
por Manuel Freytas, no Gaceta en Movimiento, reproduzido em espanhol pelo Pedro Ayres em seu blog e traduzido pelo Viomundo

A quarta guerra mundial já começou. Enquanto você descansa, enquanto você consome, enquanto v
ocê goza os espetáculos oferecidos pelo sistema, um exército invisível está se apoderando de sua mente, de sua conduta e de suas emoções. Sua vontade está sendo tomada por forças de ocupação invisíveis sem que você suspeite de nada. As batalhas já não se desenrolam em espaços distantes, mas em sua própria cabeça. Já não se trata de uma guerra por conquista de territórios, mas de uma guerra por conquista de cérebros, onde você é o alvo principal. O objetivo já não é apenas matar, mas fundamentalmente controlar. As balas já não se dirigem apenas a seu corpo, mas às suas contradições e vulnerabilidades psicológicas. Sua conduta está sendo checada, monitorada e controlada por especialistas. Sua mente e sua psicologia estão sendo submetidas a operações extremas de guerra de quarta geração. Uma guerra sem frentes nem retaguardas, uma guerra sem tanques nem fuzis, onde você é, ao mesmo tempo, a vítima e o algoz.

1. A guerra de quarta geração

Guerra de quarta geração (Fourth Generation Warfare – 4GW) é o termo usado pelos analistas e estrategistas militares para descrever a última fase da guerra na era da tecnologia da informação e das comunicações globalizadas.

Em 1989 começou a formulação da teoria da 4GW quando William Lind e quatro oficiais do exército e dos fuzileiros navais dos Estados Unidos produziram o documento “O rosto da guerra em transformação: até a quarta geração”. Naquele ano, o documento foi publicado simultaneamente na edição de outubro da Military Review e na Marine Corps Gazette. Embora no início da década de noventa a teoria não tenha sido detalhada, nem tenha ficado expresso claramente o que se entendia por 4GW, o conceito foi logo associado à guerra assimétrica e à guerra antiterrorista.

William Lind escreveu seu esboço de teoria no momento em que a União Soviética já havia sido derrotada no Afeganistão e iniciava seu colapso inevitável como sistema de poder mundial.

Portanto, a Guerra de Quarta Geração era visualizada como uma hipótese de conflito emergente do pós-Guerra Fria, tanto que alguns analistas relacionam seu ponto de partida histórico com os atentados terroristas de 11 de setembro [de 2001] nos Estados Unidos.
Quanto à evolução das fases de guerra até a quarta geração, foi descrita assim:

Fase inicial: Arranca com a aparição das armas de fogo e alcança sua expressão máxima com as guerras napoleônicas. As formações de infantaria e a “ordem” no campo de batalha constituem seus principais objetivos e o enfrentamento entre massas de homens, sua essência. A Guerra de Primeira Geração corresponde aos enfrentamentos com táticas de linhas e colunas.

Segunda fase: Começa com o advento da Revolução Industrial e a disponibilidade no campo de batalha dos meios capazes de deslocar grandes massas de pessoas e disparar poderosos projéteis de artilharia. O enfrentamento de potência contra potência e o emprego de grandes recursos constituem a marca essencial desta geração. A Primeira Guerra Mundial é seu exemplo paradigmático.

Terceira fase: Caracteriza-se pela busca da neutralização da potência do inimigo mediante a descoberta dos flancos débeis, com a finalidade de anular a capacidade de operação, sem necessidade da destruição física do inimigo. A Guerra de Terceira Geração foi desenvolvida pelo exército alemão no conflito mundial de 1939-1945 e é comumente conhecida como “guerra relâmpago” (Blitzkrieg). Não se baseia na potência de fogo, mas na velocidade e surpresa. Esta etapa se identifica com o emprego da guerra psicológica e táticas de infiltração na retaguarda do inimigo durante a Segunda Guerra Mundial.

Em 1991, o professor da Universidade Hebraica de Jerusalém Martin van Creveld publicou um livro intitulado “A transformação da guerra”, que daria sustento intelectual à teoria da 4GW.

O autor afirma que a guerra evoluiu até o ponto em que a teoria de Clausewitz se tornou obsoleta.

Van Creveld prevê que no futuro as bases militares serão substituídas por esconderijos e depósitos e o controle da população se efetuará mediante uma mistura de propaganda e terror.

As forças regulares serão transformadas em algo diferente do que tem sido tradicionalmente, assinala van Creveld. Ele também prevê o desaparecimento dos principais sistema de combate convencionais e a conversão das guerras em conflitos de baixa intensidade (também chamadas Guerras Assimétricas).

A versão antiterrorista

Depois dos ataques terroristas de 11 de setembro [de 2001] nos Estados Unidos, a Guerra de Quarta Geração se complementa com o uso do “terrorismo midiatizado” como estratégia e sistema avançado de manipulação e controle social.
Produz-se pela primeira vez o uso sistematizado do “terrorismo” (realizado por grupos de operação infiltrados na sociedade civil), complementado pela Operações Psicológicas Midiáticas orientados para o aproveitamento social, político e militar do fato “terrorista”.

A Guerra Antiterrorista (uma variação complementar da Guerra de Quarta Geração) confunde as fronteiras tradicionais entre “front amigo” e “front inimigo” e situa como eixo estratégico de disputa a guerra contra um inimigo universal invisível, disseminado por todo
o planeta: o terrorismo.

A lógica do “novo inimigo” da humanidade, identificado com o terrorismo depois de 11 de setembro, se articula operacionalmente a partir da “Guerra Antiterrorista”, que compensa a desaparição do “inimigo estratégico” do capitalismo no campo internacional da Guerra Fria: a União Soviética.
A “guerra preventiva” contra o “terrorismo” (como veremos mais adiante) produz um salto qualitativo na metodologia e nos recursos estratégicos da Guerra de Quarta Geração a serviço dos interesses imperiais da potência hegemônica do sistema capitalista: Estados Unidos.

A guerra entre potências, expressa no confronto Leste-Oeste, desaparece com a União Soviética e é substituída, a partir do 11 de setembro, pela “Guerra Antiterrorista” liderada por todas as potências e pelo império (Estados Unidos) contra apenas um inimigo: o terrorismo “sem fronteiras”.

O desenvolvimento tecnológico e informativo, a globalização da mensagem e a capacidade de influir na opinião pública mundial converteram a Guerra Psicológica Midiática na arma estratégica dominante da 4GW, em sua variação “antiterrorista”.

As operações com unidades militares são substituídas por operações com unidades midiáticas e a ação psicológica substitui as armas no teatro da confrontação.

Desta maneira, a partir do 11 de setembro a “Guerra Antiterrorista” e a “Guerra Psicológica” formam as duas colunas estratégicas que sustentam a Guerra de Quarta Geração, com os meios de comunicação convertidos em novos exércitos de conquista.

2. Guerra Psicológica (ou Guerra sem fuzis)

Na definição conceitual atual, a coluna vertebral da Guerra de Quarta Geração se enquadra no conceito de “guerra psicológica”, ou “guerra sem fuzis”, que foi assim chamada, pela primeira vez, nos manuais de estratégia militar da década de setenta.

Em sua definição técnica, “Guerra Psicológica” ou “Guerra Sem Fuzis” é o emprego planejado da propaganda e da ação psicológica orientadas a direcionar condutas, em busca de objetivos de controle social, político ou militar, sem recorrer ao uso das armas.

Os exércitos militares são substituídos por grupos de operação descentralizados, especialistas em insurgência e contrainsurgência e por especialistas em comunicação e psicologia de massas.

O desenvolvimento tecnológico e informático da era das comunicações, a globalização da mensagem e as capacidades para influenciar a opinião pública mundial converteram as operações de ação psicológica midiática na arma estratégica dominante da 4GW.
Como na guerra militar, um plano de guerra psicológica está destinado a: aniquilar, controlar ou assimilar o inimigo.

A guerra militar e suas técnicas se revalorizam dentro de métodos científicos de controle social e se convertem em uma eficiente estratégia de domínio sem o uso das armas.
Diferentemente da guerra convencional, a Guerra de Quarta Geração não se desenvolve em teatros de operação visíveis. Não há frentes de batalha com elementos materiais: a guerra se desenvolve em cenários combinados, sem ordem aparente e sem linhas visíveis de combate; os novos soldados não usam uniformes e se misturam aos civis. Já não existem os elementos da ação militar clássica: grandes unidades de combate (tanques, aviões, soldados, frentes, linhas de comunicação, retaguarda, etc.)

As bases de planejamento militar são substituídas por pequenos centros de comando e planejamento clandestinos, desde onde se desenham as modernas operações táticas e estratégicas.

As grandes batalhas são substituídas por pequenos conflitos localizados, com violência social extrema e sem ordem aparente de continuidade.

As grandes forças militares são substituídas por pequenos grupos de operação (Unidades de Guerra Psicológica) dotados de grande mobilidade e de tecnologia de última geração, cuja função é detonar acontecimentos sociais e políticos mediante operações de guerra psicológica.

As unidades de Guerra Psicológica são complementadas por Grupos de Operação, infiltrados na população civil com a missão de detonar casos de violência e conflitos sociais.

As táticas e estratégias militares são substituídas por táticas e estratégias de controle social, mediante a manipulação informativa e a ação psicológica orientada para direcionar a conduta social em massa.

Os alvos já não são físicos (como na ordem militar tradicional), mas psicológicos e sociais. O objetivo já não é a destruição de elementos materiais (bases militares, soldados, infraestrutura civil, etc.), mas o controle do cérebro humano.

As grandes unidades militares (barcos, aviões, tanques, submarinos, etc.) são substituídas por um grande aparato midiático composto pelas redações e estúdios de rádio e de televisão.

O bombardeio militar é substituído pelo bombardeio midiático: os símbolos e as imagens substituem as bombas, mísseis e projéteis do campo militar.

O objetivo estratégico já não é somente o poder e controle de áreas físicas (populações, territórios, etc.), mas o controle da conduta social em massa.

As unidades táticas de combate (operadores da guerra psicológica) já não disparam balas mas símbolos direcionados a conseguir o objetivo de controle e manipulação da conduta de massa.

Os tanques, fuzis e aviões são substituídos pelos meios de comunicação (os exércitos de quarta geração) e as operações psicológicas se constituem em arma estratégica e operacional dominante.

3. O Alvo

Na Guerra sem Fuzis, a Guerra de Quarta Geração (também chamada Guerra Assimétrica), o campo de batalha já não está no exterior, mas dentro de sua cabeça.

As operações já não se traçam a partir da colonização militar para controle um território, mas a partir da colonização mental para controlar uma sociedade.

Os soldados da 4GW já não são militares, mas especialistas de comunicação em insurgência e contrainsurgência, que substituem as operações militares pelas operações psicológicas.

Os projéteis militares são substituídos por símbolos midiáticos que não destroem o corpo, mas anulam sua capacidade cerebral de decidir por si próprio.

Os bombardeios midiáticos com símbolos estão destinados a destruir o pensamento reflexivo (informação, processamento e síntese) e a substituí-lo por uma sucessão de imagens sem relação com tempo e espaço (alienação controlada).

Os bombardeios midiáticos não operam sobre sua inteligência, mas sobre sua psicologia: não manipulam sua consciência, mas seus desejos e temores inconscientes.

Todos os dias, durante 24 horas, há um exército invisível que aponta para sua cabeça: não utiliza tanques, aviões nem submarinos, mas informação direcionada e manipulada por meio de imagens e notícias.

Os guerreiros psicológicos não querem que você pense na informação, mas que consuma informação: notícias, títulos, imagens que excitam seus sentidos e sua curiosidade, sem conexão entre si.

Seu cérebro está submetido à lógica de Maquiavel: “Dividir para conquistar”. Quando sua mente se fragmenta com notícias desconectadas entre si, deixará de analisar (o que, porque e para que cada informação) e se converterá em consumidor. Quando você consome mídia sem analisar os ques e os porquês, os interesses do poder imperial se movem por trás de cada notícia ou informação jornalística você está consumindo Guerra de Quarta Geração, de ordens psicológicas direcionadas através de símbolos.

As notícias e as imagens são mísseis de última geração que as grandes cadeias midiáticas disparam com precisão demolidora sobre os cérebros convertidos em teatro de operações da Guerra de Quarta Geração.

Quando você consome notícias com “bin Laden”, “Al Qaeda”, “terrorismo muçulmano”, sua mente está consumindo símbolos de medo associados ao terrorismo, “delinquencia organizada”, “vândalos”, “grevistas”.

O mesmo acontece no México quando se diz “Atenco” [localidade mexicana conhecida por ter resistido a uma ação de despejo], “macheteros” [que usam machetes, símbolo dos campesinos mexicanos], “privilegiados do SME” [o combativo Sindicato dos Eletricitários do México], “zapatistas”, “professores” e um grande catálogo de etc. Enquanto isso seu cérebro está servindo de teatro de operações para a Guerra de Quarta Geração lançada para controlar as sociedades em escala local e global.

Quando você consome a mídia sem analisar os porques e para ques ou os interesses do poder imperial que se movem por trás de cada notícia ou informação jornalística, você está consumindo a Guerra de Quarta Geração.






A tentação de ver

Os arquivos – em especial os que contêm informações de caráter pessoal, como os dos serviços de segurança –, possibilitam duas constatações: a de que lá se encontram também informações improcedentes, inexatas e enganadoras; e a de que lá se inscreveu a história de um órgão de Estado. Os “documentos da Ditadura” não devem ser tomados como a verdade da vida dos indivíduos neles registrada, mas sim como a expressão da lógica da desconfiança que permeava um órgão com características ditatoriais. O artigo é de Beatriz Kushnir.
Beatriz Kushnir

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17137&boletim_id=783&componente_id=13005





Néstor Kirchner e o que vem por aí

Nunca fui kirchnerista. Nunca vi Nestor pessoalmente, jamais estive em um mesmo lugar com ele. Nem sequer votei nele em 2003. Eu lhe disse isso na única vez que me telefonou para pedir-me que aceitasse ser o embaixador argentino em Cuba. Sempre disse e escrevi que não me agradava seu estilo meio descarado, essa informalidade provocadora que o caracterizava. Mas fui o respeitando na medida em que, com um poder que não tinha, tomava velozmente medidas que a Argentina precisava e que quase todos vínhamos pedindo aos gritos. E que enumero agora, porque no futuro imediato me parece que teremos que destacá-las para marcar diferenças. O artigo é de Mempo Giardinelli, escritor e jornalista argentino.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17134&boletim_id=783&componente_id=13008






A Revolução Mexicana de 1910 – de quem e para que?

No outro lado da realidade extremamente desfavorável para os setores mais oprimidos da sociedade mexicana, o trator capitalista não conseguiu devastar o que Adolfo Gilly denominou como "memória coletiva", sobretudo da cultura indígena. Podemos dizer, nesse entrelaçar de idéias, experiências e projetos políticos, revolucionários e reformistas, que novembro de 1910 sempre esteve bem mais próximo do que ele chamou de "revolução interrompida".
http://www.correiocidadania.com.br/content/view/5153/9/





XXVI SIMPÓSIO NACIONAL HISTÓRIA
ANPUH 50 anos

17 a 22 de julho de 2011

São Paulo (USP- Campus Butantã)

01 de novembro a 1 de dezembro de 2010
INSCRIÇÕES DE PROPOSTAS DE SEMINÁRIOS TEMÁTICOS
INSCRIÇÕES DE PROPOSTAS DE MINICURSOS.



IV Simpósio de Política e Cultura: Diálogos e Interfaces
Ampliadas até 8 de novembro as inscrições para o simpósio acima, organizado pelo Programa de Mestrado em História da Universidade Severino Sombra (Vassouras, RJ) que se realizará nos dias 1, 2 e 3 de dezembro de 2010 na USS – Vassouras – RJ.

Mais informações pelo site: http://www.uss.br/web/page/simposiopol.asp



Já estão abertas as inscrições para o IX EnpeH, que acontecerá entre os dias 18, 19 e 20 de abril de 2011 na Universidade Federal de Santa Catarina, em Florianópolis.

O evento é um espaço de divulgação das pesquisas sobre Ensino de História no Brasil e de seu estreitamento com os estudos de outros países da América Latina. Essa relação ganha centralidade no IX Enpeh, que tem como tema: América Latina – culturas, memória e saberes.

O IX Enpeh é também o espaço de convergência entre a História e a Educação. A relação entre os campos faz deste evento um momento de apresentar estudos que desafiam as complexidades do Ensino de História.

Os pesquisadores podem inscrever seus estudos até o dia 13 de dezembro de 2010.

As informações detalhadas sobre o evento estão disponíveis no site: www.ixenpeh.ufsc.br



O Núcleo de Estudos de História Social da Cidade (NEHSC), do Programa de Estudos Pós-Graduados em História da PUC-SP, acabou de lançar a edição n. 2 da Revista Cordis: Revista Eletrônica de História Social da Cidade, com a temática “Cidades: Processos Migratórios e Imigratórios”. Para acessar o conteúdo da publicação, entre na página . Os próximos números terão as seguintes temáticas: “História, Arte e Cidades” e “História, Corpo e Saúde”, recebendo textos respectivamente até os dias: 08/04/2011 e 08/08/2011. Os textos devem ser enviados para o e-mail: .



Grupo Arco-íris participa de campanha para doação de preservativos

No dia mundial de combate à AIDS, a Prudence irá doar 1 milhão de camisinhas. A Prudence luta contra a AIDS incentivando o uso de camisinhas e apoiando diversos projetos sociais. As camisinhas serão destinadas as ONGs, e é você quem vai escolher quais ONGs receberão as doações. A doação será proporcional ao número de votos que cada ONG receber. Vote e ajude o GRUPO ARCO-ÍRIS nessa campanha.
Para votar basta acessar o site: www.useprudence.com.br e clicar no link DIA MUNDIAL DE COMBATE À AIDS.

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